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Política

Durante uma ultramaratona de 250 quilômetros pelo Saara, uma tempestade de areia apagou todas as referências do caminho e deixou um competidor perdido por 9 dias e meio, sobrevivendo com morcegos, plantas e pequenas quantidades de líquido encontradas no deserto

O Antagonista ·
Durante uma ultramaratona de 250 quilômetros pelo Saara, uma tempestade de areia apagou todas as referências do caminho e deixou um competidor perdido por 9 dias e meio, sobrevivendo com morcegos, plantas e pequenas quantidades de líquido encontradas no deserto

A tempestade que tirou um ultramaratonista da rota e iniciou uma sobrevivência extrema que terminou centenas de quilômetros distante da prova

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em abril de 1994, uma ultramaratona no Saara deixou de ser uma competição para se transformar em uma luta pela sobrevivência. Mauro Prosperi , atleta italiano que disputava a Marathon des Sables no Marrocos, desapareceu depois que uma violenta tempestade de areia destruiu suas referências visuais. Ele passou cerca de nove dias e meio isolado, atravessou involuntariamente a fronteira com a Argélia e recorreu a medidas extremas até encontrar ajuda.

Prosperi estava na quarta etapa da prova quando entrou em uma área de dunas e foi atingido por uma tempestade de areia que durou várias horas. Segundo seu próprio relato, a visibilidade praticamente desapareceu e ele precisou continuar se movimentando para evitar ser coberto pela areia. Quando o fenômeno terminou, já estava escuro e a paisagem havia mudado completamente.

Na manhã seguinte, ele não encontrou corredores, marcações nem pontos reconhecíveis do percurso. A edição de 1994 tinha apenas cerca de 80 participantes, muito menos do que as edições modernas, fazendo com que corredores ficassem longos períodos sozinhos. Prosperi acabou seguindo na direção errada sem perceber a dimensão do desvio.

Por ser uma prova de autossuficiência, o italiano carregava equipamentos básicos e alimentos para os estágios da corrida, mas dependia dos postos de controle para reabastecer água. Quando percebeu que estava perdido, restava apenas uma pequena quantidade no recipiente, e a desidratação rapidamente passou a representar o principal perigo.

O vídeo abaixo, produzido pelo canal brasileiro Sobrevivencialismo, reconstrói a história de Prosperi e apresenta os principais momentos de sua sobrevivência depois do desaparecimento durante a Marathon des Sables.

Prosperi relatou que guardou e bebeu a própria urina enquanto ela ainda estava relativamente diluída, além de procurar orvalho e umidade disponível no ambiente. Essa atitude não deve ser interpretada como técnica segura de sobrevivência: beber urina pode aumentar a carga de sais ingerida e agravar problemas de hidratação conforme ela se torna mais concentrada.

Depois de encontrar um pequeno santuário islâmico abandonado, ele descobriu morcegos no local. Segundo seu relato, matou alguns deles, bebeu sangue e consumiu partes dos animais. Nos dias seguintes também procurou plantas e pequenos animais. Foram decisões tomadas numa emergência extrema, com riscos importantes de infecção e intoxicação.

Quando Prosperi não apareceu no posto seguinte, organizadores iniciaram buscas com veículos, aeronaves, militares marroquinos e rastreadores beduínos. O problema era que ele continuava caminhando enquanto os grupos procuravam principalmente ao redor da rota prevista. Em determinado momento, um helicóptero passou tão perto que Prosperi afirmou conseguir enxergar o piloto, mas seu pequeno sinalizador não foi percebido.

O desvio tornou-se enorme. Relatos posteriores apontam que ele terminou aproximadamente 291 quilômetros fora da rota esperada, já em território argelino.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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