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Fósseis achados no AC revelam parentes desconhecidos do maior macaco das Américas

ac24horas ·
Fósseis achados no AC revelam parentes desconhecidos do maior macaco das Américas

Os restos, formados por quatro dentes e um fragmento do osso do tarso, foram localizados às margens do Alto Rio Juruá e da BR-364, em pontos associados à Formação Solimões Superior. As duas espécies batizadas a partir do material receberam os nomes de Migmacebus juruaensis e Parabrachyteles vesperus.

O Parabrachyteles vesperus, segundo a reconstrução dos pesquisadores, pesava cerca de seis quilos e se alimentava principalmente de folhas e outros itens fibrosos, dieta semelhante à dos muriquis atuais. Já o Migmacebus juruaensis não ultrapassava um quilo e se alimentava sobretudo de frutas e itens duros, padrão comparável ao dos macacos-prego, macacos-de-cheiro e paraucaus modernos. As características da alimentação foram estimadas por meio de tomografia computadorizada de alta precisão e fotografia óptica aplicadas aos fósseis.

De acordo com o artigo publicado no periódico Journal of Mammalian Evolution, ligado à Nature, a descrição do Parabrachyteles representa um novo capítulo na história evolutiva dos muriquis. O Migmacebus, por sua vez, apresenta uma combinação de traços que os autores classificam como “quimera morfológica dos macacos-esquilo atuais e dos macacos-prego”.

O primeiro autor do estudo, o paleontólogo francês Laurent Marivaux, da Universidade de Montpellier, afirmou ao Jornal da USP que a descoberta altera a compreensão sobre a distribuição geográfica antiga do grupo. “A descoberta de um parente próximo dos muriquis na região do Acre, na Amazônia Ocidental, reformula drasticamente nossa compreensão da história evolutiva e biogeográfica do grupo, sugerindo que seus ancestrais já tiveram uma distribuição muito mais ampla do que se reconhecia anteriormente”, disse. Marivaux destacou ainda que os muriquis modernos, hoje restritos à Mata Atlântica, não possuíam até agora nenhum registro fóssil conhecido.

A pesquisa reúne um esforço de longa duração entre instituições brasileiras e estrangeiras. O trabalho foi concebido por pesquisadores do Museu de Ciências Naturais do Rio Grande do Sul, vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, em parceria com a Universidade Federal do Acre, em Cruzeiro do Sul. Também participaram equipes da Universidade de Toulouse, na França, do Instituto Argentino de Nivología e do Instituto de Ecorregiones Andinas, ambos da Argentina.

A professora Annie Hsiou, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP e coautora do artigo, participou das expedições de campo que reúnem material fóssil na região há 15 anos. “A diversidade dos platirrinos no Mioceno amazônico era maior do que se imaginava. O Migmacebus juruaensis apresenta uma combinação inédita de características compartilhadas com macacos-prego e macacos-de-cheiro, indicando que a diversificação dos cebíneos foi mais complexa do que o registro fóssil mostrava até agora”, afirmou.

A maior parte dos fósseis descritos no estudo foi obtida por meio de peneiramento de sedimentos coletados em barrancas de rios, técnica também chamada de screenwashing.

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