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Economistas divergem do mercado sobre risco fiscal de Lula 4

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Economistas divergem do mercado sobre risco fiscal de Lula 4

A reprecificação histórica que derreteu a Bolsa e fez o dólar disparar na segunda-feira (26) refletiu o pânico do mercado financeiro com o risco fiscal do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas economistas desenvolvimentistas contestam esse diagnóstico. Para eles, o consumo das famílias é o motor do PIB e cortar determinadas despesas trava a economia e afasta investimentos.

A forte oscilação do real e das ações na segunda-feira é vista como uma correção de investidores que erraram os cálculos da eleição. Fundos e corretoras passaram semanas direcionando seus investimentos de olho em uma vitória da oposição, mas precisaram reajustar tudo às pressas após resultado da apuração das urnas. "O pânico do mercado foi em boa medida uma reação à frustração política, e não às condições reais da economia, tratando-se de um movimento especulativo de momento", diz a economista Juliane Furno, professora da UFF (Universidade Federal Fluminense).

A disparada do dólar traduziu em números o erro de avaliação. O mercado foi dormir na sexta-feira (23) acreditando que Flávio Bolsonaro (PL) seria eleito. Cotada naquele dia a R$ 4,993, a moeda americana terminou a segunda-feira a R$ 5,40, variação de 8,21%. "Trata-se de movimento pontual de ajuste, e não uma tendência para os próximos dias ou semanas", ponderou o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.

O rumo da economia federal, porém, desagrada o mercado financeiro. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) calculou um corte de até R$ 250 bilhões em despesas obrigatórias para equilibrar as contas, proposta que depois foi descartada pelo candidato na TV. Os agentes do mercado ressaltam a preocupação com a dívida pública bruta brasileira, que bate na casa de 83% do PIB. O governo precisaria de um ajuste fiscal de R$ 450 bilhões para estabilizar esse endividamento em 2027, segundo cálculos da IFI (Instituição Fiscal Independente).

Para esses economistas, o ajuste fiscal não se realiza com tesourada em saúde e educação. Eles dizem que a sangria das contas públicas não está nos gastos com o bem-estar social, mas na montanha de juros pagos aos rentistas e nas isenções fiscais concedidas a grandes setores. "O maior componente do déficit público e da elevação da dívida pública é o custo financeiro, o juro", afirma Lacerda ao defender a revisão dos incentivos fiscais ao empresariado, "que atingem mais de R$ 600 bilhões no ano".

Equilíbrio fiscal é importante, mas ele é resultado do crescimento, e não sua pré-condição. Investimento público gera emprego, puxa dinheiro privado e amplia a capacidade produtiva do país. Se cortam o investimento público a arrecadação cai e a economia desacelera, o que pode ampliar a proporção da dívida em relação ao PIB, e não ao contrário. Juliane Furno, professora da UFF

O que atrairia investimento estrangeiro de longo prazo seria justamente o mercado consumidor. As multinacionais que constroem fábricas ou lojas no Brasil não se guiam pelas oscilações da Bolsa de Valores.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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