Sigilo da fonte ou escudo para crime? De assassinato a monitoramento de Dino, a trama investigada por Moraes
A operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Raimundo Cutrim , ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão apontado como fonte do blogueiro Luís Pablo , que publicou matérias sobre carros oficiais utilizados pelo também ministro Flávio Dino , provocou uma forte reação de entidades de imprensa e foi imediatamente incorporada pelo bolsonarismo à narrativa de que o país viveria uma espécie de “ditadura do STF”.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) manifestaram “profunda preocupação” e afirmaram que ações que quebrem o sigilo da fonte não têm amparo constitucional.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Maranhão também cobraram explicações sobre o acesso da Polícia Federal (PF) às comunicações de Luís Pablo e garantias de que outros informantes não sejam identificados.
A reação chegou rapidamente à extrema direita.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que “o sigilo da fonte é sagrado” e que “a liberdade está em jogo”.
Rogério Marinho (PL-RN) classificou a decisão como “grave precedente contra a liberdade de imprensa”, enquanto Nikolas Ferreira (PL-MG) falou em “ataque frontal” ao trabalho dos jornalistas.
Vista apenas dessa forma, a história parece simples: um jornalista publicou informações contra um ministro do STF, sua fonte foi descoberta e Alexandre de Moraes mandou a polícia atrás dela.
Mas não foi exatamente isso que aconteceu.
O que a investigação da PF coloca sobre a mesa é uma trama muito mais grave, que envolve uma apuração sobre assassinato , suspeita de obstrução da Justiça , acesso a sistemas restritos, monitoramento de Flávio Dino e de sua família e uma transferência de R$ 100 mil para o blogueiro que publicava as informações.
Como começou o caso Em novembro de 2025, Luís Pablo publicou fotografias e informações sobre veículos utilizados por Flávio Dino e seus familiares no Maranhão.
As postagens apresentavam o episódio como uma denúncia de suposto uso irregular de carros pertencentes ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA).
Luís Pablo, o blogueiro do Maranhão investigado por perseguição e monitoramento de Flávio Dino (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal) O STF e o TJ-MA negaram irregularidade.
Segundo os órgãos, os veículos faziam parte do esquema institucional de segurança disponibilizado a ministros quando estão fora de Brasília.
Uma das publicações mostrou a placa do automóvel e trouxe informações relacionadas aos agentes responsáveis pela proteção do ministro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.