Na Estação Espacial, um sistema passou a recuperar 98% da água usada pelos astronautas, reaproveitando inclusive umidade da respiração, suor e urina para reduzir o que precisa ser enviado da Terra
Umidade da respiração, suor, urina e até a salmoura residual passam por diferentes etapas antes de a água retornar ao circuito da tripulação
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Na Estação Espacial Internacional, jogar água fora significa perder um recurso pesado e caro de transportar até a órbita. Por isso, a reciclagem de água na ISS chegou a um marco importante: a NASA demonstrou uma recuperação geral de aproximadamente 98%, aproveitando desde a umidade liberada pela tripulação até boa parte da água presente na urina.
O índice de 98% não significa que uma única máquina recebe todo o esgoto da estação e devolve imediatamente água potável. O resultado vem de um conjunto integrado do sistema de suporte à vida, que coleta diferentes fontes de água e as conduz por etapas distintas de recuperação e purificação.
Segundo a NASA, antes da introdução do processador adicional de salmoura, a recuperação total ficava entre 93% e 94%. A demonstração do Brine Processor Assembly, ou BPA, permitiu extrair água que antes permanecia concentrada no resíduo do processamento da urina, elevando o desempenho geral até a meta de 98%.
Parte da água está literalmente no ar. A respiração e a transpiração da tripulação liberam umidade dentro dos módulos pressurizados. Sistemas de controle de umidade condensam esse vapor, impedindo que uma fonte valiosa simplesmente seja desperdiçada. A urina segue outra rota de processamento antes de a água recuperada entrar no tratamento final.
Neste vídeo, o astronauta Chris Hadfield, da Agência Espacial Canadense, demonstra diretamente o sistema de recuperação de água a bordo da estação e explica por que reciclar esse recurso é fundamental para manter astronautas vivendo em órbita.
A urina é encaminhada para o Urine Processor Assembly, conhecido pela sigla UPA. O equipamento utiliza destilação a vácuo para separar parte significativa da água. Esse processo produz água recuperada, mas também deixa uma salmoura concentrada que ainda contém líquido aproveitável.
Foi justamente esse resíduo que se tornou importante para alcançar um índice maior de recuperação. O BPA recebe a salmoura produzida pelo processador de urina e utiliza uma tecnologia especial de membrana. Ar quente e seco ajuda a evaporar água restante, criando novamente um fluxo de ar úmido que pode ser capturado pelo sistema.
Não. Essa é uma simplificação comum ao explicar o sistema. A água retirada da urina não segue diretamente do equipamento de destilação para o consumo. Os diferentes fluxos recuperados precisam passar pelo sistema de processamento e purificação antes de serem liberados novamente para uso pela tripulação.
A NASA explica que os sistemas de suporte à vida realizam tratamento e monitoramento para assegurar que a água recuperada atenda aos requisitos necessários. Portanto, a origem do líquido pode causar estranhamento, mas o produto final não deve ser entendido como “urina filtrada”, e sim como água submetida a uma cadeia de recuperação e tratamento.
Cada quantidade de água que pode permanecer circulando representa menos massa que precisa ser lançada da Terra.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.