Distração à mesa aumenta o risco de comer em excesso, aponta estudo
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Fazer as refeições e ver TV ao mesmo tempo pode contribuir para o ganho de peso, segundo artigo recente publicado no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition . A conclusão veio da análise de mais de 50 estudos realizada por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.
"Embora seja um assunto muito complexo, os trabalhos avaliados na revisão mostram que, na maioria das vezes, há uma associação entre comer sob distração e o aumento na ingestão de calorias nas refeições posteriores", comenta o endocrinologista Rafael Scarin, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
Entre os possíveis mecanismos envolvidos estão impactos negativos no controle do apetite ao longo do dia. Quando falta dedicação no momento da alimentação , a tendência é devorar tudo rapidamente, o que costuma interferir com a percepção da fome . Estima-se que o estômago leva de 15 a 20 minutos para sinalizar ao cérebro que está cheio e, assim, desencadear a liberação de hormônios, caso da leptina e do peptídeo YY, dois indicadores de saciedade.
Também tem a ver com a formação da memória. "Nossa atenção está diretamente relacionada com a capacidade de armazenar as informações e utilizá-las, portanto, quando há distração, fica mais difícil lembrar daquilo que já foi consumido", diz o nutricionista João Motarelli, especialista em mindfulness e pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Obesidade e Comportamento Alimentar da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo ( USP ).
Como consequência, a vontade de beliscar tende a surgir. "A longo prazo, esse tipo de comportamento pode dificultar o controle alimentar e favorecer o ganho de peso e a obesidade, sobretudo entre aqueles que têm predisposição", sinaliza Scarin. Além da ingestão excessiva de comida, existem indícios de que a falta de concentração contribui para escolhas menos conscientes, tornando o cardápio menos saudável.
Manter o foco colabora para o reconhecimento dos sinais fisiológicos da fome. Algumas estratégias são bem-vindas, mas sem radicalismos — não se recomenda contar o número de mastigadas, por exemplo. "A meta não é transformar cada refeição em um ritual de silêncio, numa prática que acaba insustentável", comenta Motarelli.
A sugestão é desligar a TV, pausar a série e afastar o celular, deixando-o fora do campo de visão. E o ambiente precisa estar organizado e convidativo . Em casa, vale escolher a melhor toalha, assim como os utensílios que vão compor o espaço.
Outro conselho é buscar princípios de uma abordagem consolidada entre os nutricionistas: o conceito chamado de mindful eating. Na tradução para o português é "comer com atenção plena" e aborda sensações físicas e emocionais. Remonta ao mindfulness , prática de meditação secular.
Existem indícios de que o mindfulness contribui para uma remodelação de determinadas áreas do cérebro e para a formação de sinapses entre os neurônios, a chamada neuroplasticidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.