Apex abre fluxo de caixa à Justiça e ex-presidente pede desbloqueio de bens
A Apex Partners protocolou pedido de providências na Justiça de Vitória detalhando sua estrutura de caixa e justificando a necessidade de transferir recursos entre empresas do grupo para não paralisar suas operações. A explicação ocorre em meio ao pedido do ex-presidente Fernando Cinelli para suspender o bloqueio de R$ 5 milhões em seus bens, sob a alegação de que as transações contestadas seguiam a mesma lógica de caixa agora explicada pela própria companhia.
A Apex protocolou um pedido de providências na Vara de Recuperação de Vitória. No documento datado de ontem (20), o grupo detalha sua estrutura de caixa e justifica a necessidade de transferir dinheiro entre suas empresas.
O grupo alega que as transações são vitais para suas atividades não paralisarem. A holding centralizaria despesas como salários e sistemas, mas o faturamento ocorreria nas empresas operacionais.
A crise recente teria dificultado que as operacionais paguem suas contas e ajudem a holding. Por isso, as marcas superavitárias precisariam transferir recursos às deficitárias.
A maior parte do dinheiro movimentado serve para pagar funcionários e impostos. Cerca de 54% vai para pessoal, 22,7% para fornecedores vitais, 22,3% para tributos e 1,1% para aluguéis.
A Apex pede autorização para manter o fluxo financeiro entre suas empresas. A proposta é enviar relatórios quinzenais à Justiça detalhando CNPJ, valor, data e o motivo de cada operação realizada.
O grupo também informou a transferência de R$ 216 mil nos próximos dias. São 18 movimentações planejadas entre 20 e 26 de agosto, sob a representação do advogado José Carlos Stein Junior.
A Justiça já havia autorizado a manutenção de pagamentos essenciais. Uma decisão do dia 18 permitiu a quitação de pessoal, exigindo em troca a discriminação detalhada dessas movimentações
O pedido à Justiça ocorre após a destituição Fernando Antonio Kulnig Cinelli. O executivo foi afastado da presidência da Apex no dia 6 de agosto, após auditorias apontarem supostas inconsistências financeiras.
Os advogados de Cinelli pedem "uma apuração documental independente" sobre a cadeia de informações e decisão dentro da Apex. "Foi justamente com esse objetivo que ajuizou ação para que sejam preservados e exibidos os documentos capazes de esclarecer o funcionamento das operações e os respectivos centers de decisão e responsabilidade. Cinelli reafirma sempre ter exercido sua posição executiva no grupo com seriedade e transparência e reitera seu total comprometimento com a elucidação dos fatos", afirmam em nota.
Esta semana, o ex-presidente do Grupo Apex pediu à Justiça a suspensão do bloqueio de seus bens e da quebra de seu sigilo bancário. O executivo tenta reverter o bloqueio de R$ 5 milhões ao argumentar que as movimentações financeiras apontadas pela Apex eram regulares e tinham justificativa econômica.
A defesa nega qualquer desvio ou apropriação de recursos. O ex-presidente afirma que não tem acesso a documentos internos da Apex para provar sua inocência devido ao seu afastamento do cargo.
Cinelli contesta a quebra de sigilo por três anos e pede segredo de justiça.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.