Ex-BBB saca a arma e atira para puxar votos na propaganda da TV
A Federação União Brasil/Progressistas projeta eleger entre 112 e 120 deputados federais nas eleições de 2026. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, as apostas são duas armas engatilhadas e exibidas na propaganda eleitoral.
A União Progressista (sic) escolheu como puxador de votos o vereador paulistano Adrilles Jorge, ex-BBB e ex-apresentador da Jovem Pan demitido por fazer um gesto associado ao nazismo.
Agregador de pesquisas do UOL: veja números atualizados sobre as Eleições 2026
No horário gratuito, o agora candidato a deputado federal leva 9 segundos para sacar um revólver. E outros seis para atirar.
Quem assiste pensa que está diante de um pedido frustrado de resgate, mas não é.
Com uma mão, Adrilles saca um livro de Paulo Freire. Com outra, engatilha a arma, junto com uma pergunta: qual ferramenta é mais eficaz para combater um pedófilo?
"De palavra eu entendo. Mas pra vagabundo que violenta criança não tem palavra, tem bala", diz, antes de atirar na direção do espectador.
Na sequência aparece Rubinho Nunes, que disputa o mesmo território do colega da Câmara Municipal de São Paulo ao prometer pena de morte para criminosos sexuais. A arma, dessa vez, é uma escopeta, que ele também aponta para o espectador. Ao menos Rubinho tem a decência de descarregar o berro em um alvo de papelão, de costas para a câmera. Ufa.
O tiroteio virou recurso eleitoreiro para extremistas como eles se destacarem no meio de uma multidão berrando por todo tipo de solução para os problemas da segurança pública.
Não é à toa que, na disputa presidencial, três candidatos já disseram que querem ser Nayib Bukele quando crescer. O presidente linha-dura de El Salvador já foi elogiado por Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL), que até reservou um dia da campanha para se encontrar com o ministro da Justiça salvadorenho Gustavo Villatoro.
Construção de mega-presídios e a classificação de facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho, como organizações narcoterroristas estão no pacote de inspiração.
Com tanta concorrência, sobrou à dupla de atiradores do União Brasil radicalizar ainda mais o discurso e performar a ação.
Ambos atuam sob a batuta (e as vistas grossas) do presidente da legenda, Antônio Rueda, alvo da Polícia Federal em investigações que apuram desde 2025 a infiltração do PCC nos setores financeiro e de combustíveis no país. Baiano, Rueda mudou o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro, onde faz campanha para deputado federal ao lado do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), preso em julho por carregar no carro um fuzil.
Na sexta-feira (18) o Ministério Público Eleitoral defendeu o veto à candidatura Rueda. Ele é acusado de se beneficiar de milícias da Baixada Fluminense para chegar à Câmara.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.