Pesquisadores revelam que cratera misteriosa em SP foi causada por asteroide de zircão
No extremo da zona Sul de São Paulo, durante o início da década de 1960, imagens de satélite revelaram uma paisagem singular no distrito de Parelheiros.
Uma depressão circular, com aproximadamente 3,6 quilômetros de diâmetro e cerca de 300 metros de profundidade, abrigava quase todo o bairro de Vargem Grande.
Desde então, a Cratera de Colônia (como ficou conhecida) virou o principal patrimônio de raridades geográficas da capital do Estado – tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) em 2003.
Ainda assim, especialistas mantinham dúvidas sobre qual seria a origem do impacto.
Havia a hipótese de que ele teria sido causada por um corpo celeste, como um cometa ou meteoro, mas também poderia ser a boca de um vulcão extinto.
Agora, um artigo publicado na revista Earth and Planetary Science confirma que a cratera resulta do impacto de um corpo celeste há milhões de anos: trata-se de um asteroide.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) chegaram à conclusão graças a um mineral presente nas amostras extraídas da cratera.
Os grãos de zircão, como são chamados, são capazes de preservar marcas de eventos extremos de pressão e temperatura.
Continua após a publicidade O estudo observa que as deformações encontradas no mineral são compatíveis com o choque do impacto de um asteroide.
Vale dizer que a origem do zircão não é extraterrestre, ou seja, ele já estava presente nas rochas antes do impacto.
Até hoje, é a primeira vez que há registro da presença de zircão em um impacto por asteroide no Brasil.
Continua após a publicidade Qual a probabilidade da Terra ser atingida por um asteroide grande? Asteroide em Vargem Grande Em 2013, o geólogo Victor Velázquez Fernandez, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, autor do estudo, começou a estudar as peculiaridades da cratera.
Foi graças a seus primeiros trabalhos que a estrutura passou a integrar, oficialmente, o registro internacional de crateras.
À época, ele já havia achado vestígios que comprovavam que a cratera era resultado da queda de um corpo extraterrestre.
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