Brasil encosta nos Estados Unidos em exportações do setor de agronegócio
A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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Ao contrário do que ocorre no Brasil, as exportações agropecuárias dos Estados Unidos têm crescimento lento nos anos recentes. No ano passado, as vendas externas dos americanos atingiram US$ 171 bilhões, 14% acima do valor de há cinco anos. No mesmo período, o Brasil elevou suas exportações para US$ 169 bilhões, 68% a mais.
Os brasileiros estão prestes a superar os americanos no comércio mundial nesse setor. Com a área de produção praticamente definida, os EUA não têm muito espaço para crescer. No que se refere à pecuária, estão com o menor rebanho em 70 anos e sem condições de elevar as exportações do setor.
Além disso, a política de afrontamento de Donald Trump com os parceiros comerciais tem reduzido as exportações, principalmente para grandes mercados, como o da China e, agora, o do Canadá, tradicional parceiro dos EUA.
No início deste século, os americanos tinham receitas de exportações do agronegócio de US$ 56 bilhões, 167% a mais do que as do Brasil. Neste ano, os dois países devem ficar com valores próximos a US$ 170 bilhões. O Brasil, apesar dos preços menos aquecidos no mercado externo, vem tendo exportações em ritmo recorde.
De janeiro a julho, são US$ 103 bilhões, uma média de US$ 14,7 bilhões. A média mensal dos EUA foi de US$ 15 bilhões.
Os americanos perdem espaço em mercados importantes, como o da Ásia. De 2022 a 2025, exportaram 25% a menos para a Ásia. Já o Brasil teve aumento de 9%. A perda no continente asiático ocorre, principalmente, devido à política de enfrentamento de Trump com a China, o que ocorre desde o seu primeiro mandato.
As exportações americanas de 2025 para os chineses, comparadas às de há cinco anos, recuaram 49%, enquanto as do Brasil subiram 8% no período. Os EUA continuam ocupando espaço no mercado internacional de milho, mas perdem no da soja. A oleaginosa, que liderava o volume de receitas obtidas na balança do agronegócio, cedeu o lugar para o cereal.
O Brasil passou a ocupar lugar dos americanos também nas carnes. O aumento da renda familiar nos países em desenvolvimento da região asiática e a maior facilidade no fluxo comercial permitiram um avanço da proteína animal brasileira naquele mercado.
Os EUA perdem mercado também nos países desenvolvidos da região, como o Japão. Os americanos chegaram a ganhar um impulso no comércio externo com o acordo USMCA, em 2020, bloco que reúne os países da América do Norte (Estados Unidos, México e Canadá).
A evolução do comércio do primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, teve evolução de apenas 2%, devido à política externa de Trump. Já a pressão do presidente dos EUA sobre os europeus parece ter dado resultado neste ano. As negociações com a União Europeia renderam 12% a mais no primeiro semestre, após um período de estabilidade nos anos anteriores.
O Brasil ganha mercado em praticamente todas as regiões, inclusive na América do Norte.
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