Comunidades exigem adaptação climática no Amazonas
Manaus (AM) – Sob a ameaça da chegada de um fenômeno El Niño com estimativa de intensidade “muito forte” e diante do aumento expressivo dos incêndios florestais e urbanos na região amazônica, povos indígenas e comunidades tradicionais exigiram, em uma Audiência Popular, realizada este mês em Manaus, ações permanentes de adaptação climática por parte do poder público para enfrentar o evento extremo, as altas temperaturas, a falta de água potável e de alimentos, como peixes, além da poluição do ar por causa dos incêndios florestais.
A cobrança das comunidades ocorre enquanto o Amazonas ainda não concluiu seu Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas – uma das metas da COP30 .
Conforme o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), a previsão é que o documento seja entregue em setembro de 2026.
Mesmo sem uma cartilha a seguir, as populações que vivem nos territórios já apontam o que consideram necessário para atravessar eventos extremos sem depender exclusivamente de respostas emergenciais.
“A gente sofre muito com a estiagem, a seca, as queimadas e também passa por período de muita fumaça.
Às vezes o Estado leva cesta básica, mas o povo não precisa só de uma cesta básica, precisa de água potável, precisa de atendimento médico.
A gente tem uma população com várias aldeias.
Quando seca o rio, andamos horas e horas a pé para chegar até uma UBS”, disse a liderança indígena Edno Mura, que participou da Audiência Pública representando a aldeia Galiléia , no município de Careiro da Várzea, que fica na região metropolitana de Manaus.
Além de indígenas, a Audiência Popular Impactos do Super El Niño no Amazonas contou, no dia 10 de agosto, com as presenças de lideranças ribeirinhas, quilombolas, agricultores e agricultoras familiares, pescadores e pescadoras artesanais, moradores das periferias urbanas, mulheres e juventude, no auditório da Assembleia Legislativa do Amazonas.
Todos presentes compartilharam as dificuldades enfrentadas diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
No entorno da BR 319, que liga Manaus a Porto Velho (RO), o fogo dos incêndios florestais queimou as plantações e as casas na comunidade Ramal Mamori, localizada no município de Careiro Castanho, também na região metropolitana de Manaus.
Nilcinha de Jesus Amaral Ferreira, agricultora orgânica e liderança da comunidade , conta que o sacrifício é grande e não existem políticas governamentais para dar conta dos danos.
Munidos com o conhecimento de um curso de brigadista, a própria comunidade se arrisca na prevenção dos incêndios.
“Quem mais sofre somos nós da zona rural, com o calor, falta de chuva, falta de água.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em amazoniareal.com.br — o conteúdo pertence a Amazônia Real.