Temperatura dos oceanos bate recorde histórico e aumenta preocupações com efeitos do El Niño
Segundo o monitoramento do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus (C3S), do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a temperatura média da superfície do oceano atingiu um novo recorde em agosto e superou o marco anterior, registrado no final de março de 2024.
A nova marca foi de 21,1°C, atingida no último sábado (22); antes, a maior temperatura havia sido de 21,09°C.
De acordo com o instituto, o novo recorde preocupa porque ocorreu cerca de quatro meses depois do período em que as temperaturas costumam atingir os maiores níveis globais, entre março e abril, depois do verão do Hemisfério Sul.
O aquecimento crescente das águas do oceano se soma ao desenvolvimento de um El Niño mais forte no Pacífico tropical, que tem 90% de chances de perdurar até novembro, de acordo com o órgão das Nações Unidas sobre o Clima.
Leia também: O novo alerta do Inmet para os brasileiros sobre o El Niño – Revista Fórum A NOAA estima que mais de 90% do excesso de calor acumulado no sistema climático em decorrência do aumento dos gases de efeito estufa seja absorvido pelos oceanos, o que reduz temporariamente a velocidade do aquecimento da atmosfera, mas acumula calor nas camadas mais profundas e contribui para a elevação do nível do mar.
Quando a água esquenta, ela se expande (processo conhecido como expansão térmica), o que contribui para a elevação do nível do mar e, junto a outros fatores, como o derretimento das geleiras continentais, impulsiona esse aumento.
Em 2026, o fenômeno de aquecimento recorde vem acompanhado pelas alterações na circulação atmosférica causadas pelo El Niño, o sistema de Oscilação Sul, que modifica as precipitações em diferentes partes do mundo.
No Pacífico, em julho, o índice Niño 3.4, uma das principais referências para acompanhar o fenômeno, já marcava elevação de temperatura de +1,4°C, enquanto o Niño 3 estava em +1,7°C e o Niño 1+2 chegava a +2,9°C.
A NOAA também identificou anomalias de até +10°C em determinadas áreas subsuperficiais do Pacífico equatorial, sinal de grande acúmulo de calor abaixo da superfície.
Uma das consequências mais diretas do aquecimento é o aumento da ocorrência de ondas de calor marinhas, períodos prolongados em que determinada região do oceano apresenta temperaturas muito mais elevadas do que o comum, o que impacta os ecossistemas, leva ao branqueamento de corais e favorece o aumento do calor e da umidade do ar.
De acordo com o Instituto Copernicus, as temperaturas oceânicas mais elevadas podem aumentar o potencial de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e sistemas de tempestades.
No Brasil, de acordo com o INMET, o El Niño tende a favorecer o aumento da frequência e do volume de chuva na Região Sul, enquanto Norte e Nordeste podem registrar redução das precipitações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.