Mineral estratégico dispara de preço e coloca o Rio Grande do Norte no radar internacional
O Rio Grande do Norte viu o valor das exportações de tungstênio, mineral extraído principalmente da região de Currais Novos, no Seridó, dispararem no primeiro semestre de 2026, em um movimento provocado principalmente pela forte valorização no mercado internacional.
Entre janeiro e junho, foram US$ 6,8 milhões (aproximadamente R$ 35,09 milhões) em exportações, um crescimento de 356% em relação ao mesmo período do ano passado.
O aumento não se deveu a um crescimento no volume exportado, mas, segundo a Análise da Balança Comercial do RN para o primeiro semestre, foi motivado pelo valor médio das exportações, que passou de US$ 19,22 por quilo em 2025 para US$ 76,98/quilo no primeiro semestre de 2026 (cerca de quatro vezes maior).
O principal motivo são as mudanças no panorama de exportação da China, que ocupa posição dominante tanto na produção como na importação e no consumo dos concentrados de tungstênio, utilizados na fabricação de equipamentos de alta resistência, filamentos elétricos, peças aeroespaciais e componentes de solda.
Desde fevereiro de 2025, o Ministério do Comércio e a Administração Geral de Alfândegas da China anunciaram controles de exportação para determinados itens relacionados a tungstênio, telúrio, bismuto, molibdênio e índio.
A medida foi implementada para controlar a exportação de produtos e tecnologias estratégicos.
O controle sobre os produtos acabou levando a um redirecionamento da demanda internacional.
Segundo a Fastmarkets, que fornece análises e informações sobre preços e mercados de commodities, os preços de produtos chineses de tungstênio, incluindo concentrado, paratungstato de amônio (APT) e ferrotungstênio, subiram mais de 200% ao longo de 2025, em meio às restrições à produção e ao aumento da demanda.
A Agência Internacional de Energia (IEA) também identifica o tungstênio entre os chamados minerais estratégicos de menor volume, mas com grande importância para os setores de alta tecnologia, especialmente o aeroespacial e o de defesa.
Segundo a agência, os preços desses minerais mais que dobraram entre 2024 e o início de 2026, enquanto o preço do tungstênio chegou a crescer seis vezes no período.
No Brasil, a produção de tungstênio está concentrada no Nordeste, em especial na região do Seridó, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, onde predomina a extração de scheelita.
Estima-se que o país tenha mais de 8 mil toneladas de reservas do mineral.
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