Mercado imobiliário sob pressão é prova de fogo para CRIs
O aumento do número de recuperações judiciais entre incorporadoras, em um momento de juros elevados e desaquecimento da demanda, colocou o mercado imobiliário sob pressão.
Parte crescente dos empreendimentos recorreram ao mercado de capitais para financiar projetos nos últimos anos, e surfaram na demanda por ativos isentos entre investidores de varejo, como os CRIs.
Agora, a conta precisa se pagar, entre credores, incorporadores e compradores dos imóveis.
Entre o segundo trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2026, o número total de pedidos de recuperação judicial entre as incorporadoras subiu 124%, mais que o dobro do ritmo do conjunto das empresas, com alta de 55%.
Uma em cada dez recuperações judiciais no Brasil é de uma incorporadora, segundo dados do Monitor RGF citados por José Eduardo Palaia, sócio-fundador da Haltin Capital, gestora especializada em ativos imobiliários estressados.
Por isso, o período será também uma prova de fogo para as securitizações que não se prepararam para o pior.
Mais do que nunca, parte desses papéis está espalhada por uma ampla base de pequenos investidores, que normalmente tem menos acesso a dados e bastidores do que gestores, o que torna mais difícil antever turbulências e vender os títulos antes de um evento de crédito.
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