C919: o avião chinês que mira Boeing e Airbus entra na disputa global
A China deu um passo importante para desafiar o domínio de Boeing e Airbus no mercado global de aviação. O C919, avião comercial desenvolvido pela estatal Commercial Aircraft Corporation of China (Comac), realizou seu primeiro voo internacional regular nesta quarta-feira, 12.
A operação da Air China foi entre Pequim e Ulan Bator, na Mongólia. A aeronave tem capacidade para até 174 passageiros e disputa o mesmo segmento de mercado de modelos como o 737 MAX, da Boeing, e o A320neo, da Airbus. A rota será operada diariamente.
A expansão internacional é, porém, uma aposta de longo prazo. A fabricante enfrenta limitações de produção, depende de fornecedores estrangeiros e ainda não obteve certificação dos principais reguladores de aviação dos Estados Unidos e da Europa. As informações são da CNBC .
Apesar de ser apresentado como símbolo da indústria aeronáutica chinesa, o C919 não é 100% produzido no país. Ela "ainda depende fortemente de fornecedores estrangeiros", na avaliação do analista do Mercator Institute for China Studies (Merics), Andreas Mischer, à CNBC .
Um dos principais componentes vem de empresas ocidentais. Os motores do C919 são fabricados pela CFM International, parceria entre a americana GE Aerospace e a francesa Safran Aircraft Engines.
A dependência externa é um dos obstáculos para a estratégia de Pequim de construir uma indústria aeronáutica capaz de competir globalmente. Para Mischer, a Comac também ficou abaixo da meta do programa " Fabricado na China 2025 " ( Made in China 2025 ), de conquistar 10% do mercado doméstico de grandes aeronaves de passageiros.
Ainda assim, a fabricante vem ampliando sua exposição internacional. O C919 e o C909, modelo menor da companhia, fizeram sua estreia no Dubai Airshow em novembro de 2025, quando a Comac afirmou que pretendia aprofundar relações com a indústria global de aviação.
Apesar dos novos passos, as companhias aéreas chinesas continuam dependendo de Boeing e Airbus . Em maio, por exemplo, a China confirmou uma encomenda de 200 aviões da Boeing, além de motores e peças de reposição.
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