Garimpo dispara no Parque Nacional do Juruena e levanta alerta sobre avanço de facções
O desmatamento relacionado à mineração ilegal aumentou 660% no parque em apenas oito meses e relatos apontam possível envolvimento de facções criminosas
Durante um dia normal de trabalho no Parque Nacional Juruena, no extremo norte do Mato Grosso, os Agentes Temporários Ambientais (ATAs) contratados pelo Programa Monitora , do ICMBio, realizavam a coleta de dados sobre a biodiversidade ao longo da trilha utilizada pelo programa, na porção sul da unidade de conservação. O que não estava no planejamento de campo era um encontro com garimpeiros, que tem invadido a área protegida atrás de ouro. Os infratores dispararam tiros para o alto, afugentando a equipe do Monitora. Pelo menos três dos agentes são indígenas da etnia Apiaká, que tem o território da sua Terra Indígena sobreposta ao parque.
O episódio de intimidação foi relatado por diversas fontes que acompanham o dia a dia da gestão: “[Os garimpeiros] abriram uma estrada lá para dentro do parque que foi bater em uma trilha do Programa Monitora… Quando o pessoal tava fazendo limpeza da trilha, deram de cara com os garimpeiros e os garimpeiros desceram bala neles”, afirmou um servidor do ICMBio que preferiu não se identificar.
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O incidente é sintoma de um problema que se avoluma: a presença e expansão do garimpo dentro do quarto maior parque nacional do país. Esse crescimento foi confirmado em um recente relatório , resultado do trabalho da Amazon Conservation Association e do Instituto Centro de Vida (ICV), com informações geradas pelo MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Program), que utilizou a interpretação de imagens de satélite de altíssima resolução.
A análise baseada em alertas de desmatamento por mineração aponta um aumento significativo dentro do parque num intervalo de apenas oito meses. Entre agosto de 2025 e abril de 2026, a área impactada saltou de 10,5 hectares para 79,5 hectares, um aumento de 660%.
((o))eco conversou com gestores, especialistas e fontes locais para entender os motivos desse aumento recente. O argumento que parece consenso é a valorização do ouro no mercado, que vem crescendo há seis anos. O metal precioso passou de aproximadamente R$ 200 a grama em 2020 para atuais R$ 820. Com isso, a invasão de áreas protegidas, mesmo arriscada e difícil logisticamente, torna-se atraente para os garimpeiros.
Para Valter Glória, gestor do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Serra do Cachimbo, responsável por UCs federais entre Pará e Mato Grosso, há motivos adicionais para esse avanço. “Fazendo a gestão de fato do parque, verificamos essa questão do avanço do garimpo. Muito disso [se deve] ao preço do ouro, que está sendo super valorizado. Mas também à gestão em si, que historicamente tem poucos servidores atuando. Por isso eu atribuo também à pouca presença do estado aqui no território”.
Valter destaca a dificuldade de acesso e afirma que o ICMBio tem feito operações na região. “Estamos trabalhando.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.