Novo Congresso é submisso a Trump e antiambiental, diz Marina Silva após derrota no Senado
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A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) avalia que, com maioria de direita e uma crescente bancada do agronegócio, a próxima legislatura do Congresso Nacional levará adiante uma pauta de retrocessos ambientais , sobretudo caso Flávio Bolsonaro ( PL ) seja eleito para o Palácio do Planalto.
"É um cenário altamente preocupante", disse ela à Folha . "Tanto pelo risco de que marcos regulatórios possam ser todos demolidos, como aconteceu na Argentina, quanto pela postura subserviente e entreguista aos interesses de Donald Trump, ainda mais em um eventual governo Bolsonaro. Isso vai atrapalhar os interesses econômicos, sociais, ambientais do Brasil."
Marina não conseguiu se eleger para uma cadeira do Senado por São Paulo . Ficou em quarto lugar. No estado, dois candidatos da direita foram eleitos, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite ( PP ), deixando para trás a também ex-ministra de Lula ( PT ) Simone Tebet ( PSB ).
De volta ao cargo de deputada federal, Marina Silva afirma que, mesmo na atual legislatura, uma série de matérias aprovadas no Legislativo nos últimos quatro anos representou retrocessos: a demolição, nas próprias palavras, do licenciamento ambiental, restrições à fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) contra crimes ambientais e a redução de áreas de preservação e terras indígenas .
A lei que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental foi aprovada em 2025. Como revelou a Folha , o presidente do Senado, Davi Alcolumbre ( União Brasil -AP), atuou para criar a LAE (Licença Ambiental Especial) , categoria na qual projetos escolhidos pelo governo federal por critérios políticos passam a ter análise prioritária, de no máximo um ano, independentemente de seu impacto .
Em 2026, os congressistas deram andamento a um projeto que reduz o poder de atuação do Ibama em ações de fiscalização contra crimes ambientais . E avançaram com um pacote de projetos de lei que reduzem, somados, 555 mil hectares —ou 3,7 vezes a área da cidade de São Paulo— em áreas de proteção ambiental.
"Essas pessoas são os estertores da crise civilizatória. Infelizmente alguns daqueles que podem e devem reagir para evitar que essa pulsão de morte prevaleça ainda não estão reagindo. Espero que a gente tenha uma postura de salvaguardar os ganhos da civilização no continente", diz.
Marina diz que, neste segundo turno, focará a campanha para tentar reeleger Lula , para "ser uma sustentação dos ganhos que já estabelecemos" e manter o que chama de "coeficiente civilizatório".
O petista ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições , com 45% dos votos, atrás dos 47% conquistados por Flávio, filho de Jair Bolsonaro (PL) —hoje preso por liderar a tentativa de golpe após o pleito de 2022.
Lula busca agora uma virada inédita na história do Brasil desde a redemocratização. O segundo turno está marcado para dia 25 de outubro.
"As pessoas não precisam gostar do Lula, porque a gente está elegendo o presidente, não o amigo", diz.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.