Nobel da Paz consagrou trajetórias políticas, mas também criou legado controverso
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O Nobel da Paz de 2026 será anunciado nesta sexta (9), em Oslo, pelo Comitê Norueguês do Nobel, acrescentando mais um nome à lista que há mais de um século reúne dissidentes, líderes políticos, ativistas e arquitetos de acordos históricos.
A láurea, porém, nem sempre antecipa o destino de quem a recebe: enquanto alguns vencedores transformaram o prestígio do prêmio em triunfo político ou ampliaram sua influência, outros acabaram associados, anos depois, a guerras e controvérsias que colocaram em xeque a própria escolha do comitê.
María Corina Machado recebeu o prêmio por sua atuação contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela . O comitê destacou seu trabalho pela defesa dos direitos democráticos e, em especial, sua busca por uma "transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".
Àquela altura, a líder opositora vivia escondida havia meses, depois da repressão que se seguiu à eleição presidencial de 2024, cujo resultado anunciado pelo chavismo ela parte importante da comunidade internacional denunciaram como fraudulento.
Houve, no entanto, uma tensão já no momento da escolha. Ao comemorar o prêmio, María Corina o dedicou também a Donald Trump e apoiou as operações militares americanas no Caribe, apresentadas por Washington como parte do combate ao narcotráfico e vistas como forma de pressão sobre Maduro.
Essa tensão se tornou mais explícita poucos meses depois. Após a operação militar ordenada por Trump que, em janeiro de 2026, capturou Maduro e o retirou do poder, María Corina entregou ao presidente americano sua medalha do Nobel como gesto de reconhecimento.
O Instituto Nobel precisou esclarecer que a honraria em si não podia ser transferida, compartilhada ou revogada. Ironicamente, Washington privilegiou nos meses que se seguiram o diálogo com Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro e chefe da ditadura desde então, deixando a opositora à margem do momento que ela esperava conduzir.
O pós-Nobel, nesse caso, expôs os limites da própria premiação. Mohammadi continuou militando e continuou sendo alvo das autoridades iranianas. Depois de um período fora da prisão por razões médicas, foi detida novamente em dezembro de 2025 e recebeu, em fevereiro de 2026, uma nova pena de sete anos e meio de prisão, além de outras restrições. Em maio, a execução da sentença foi temporariamente suspensa sob fiança e ela foi levada a um hospital.
O primeiro-ministro da Etiópia , Abiy Ahmed Ali, ganhou o Nobel da Paz de 2019 sobretudo pela iniciativa que encerrou duas décadas de hostilidade com a Eritreia. Depois de chegar ao poder, em 2018, Abiy retomou o diálogo com o presidente eritreu, Isaias Afwerki, aceitou a decisão internacional sobre a fronteira entre os dois países e pôs fim ao estado de "nem guerra, nem paz" que se seguira ao conflito travado entre 1998 e 2000.
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