Ficar de braços cruzados não é uma opção quando a democracia está em jogo
Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades
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Estive na Grécia para participar do Fórum da Democracia de Atenas —um encontro de especialistas e ativistas da democracia de todo o mundo—, por isso tenho refletido muito sobre o privilégio e a responsabilidade que acompanham a vida em uma democracia.
Todas as manhãs, eu tomava café no restaurante da cobertura do hotel, que tinha vista para o Partenon —o icônico templo grego construído no século 5 a.C., no auge democrático ateniense. E, todas as manhãs, o atendente me perguntava: "O senhor tem alguma alergia?". E, em todas as vezes, eu mordia a língua para não responder.
"Bem, já que perguntou, tenho duas alergias —mas são políticas, não do meu corpo. Tenho alergia ao ativismo performático das redes sociais, do tipo: 'Ei, publiquei no Facebook a condenação de Israel feita pela minha estrela pop favorita, então me deixa em paz’", eu pensava. "Mas também tenho alergia à falta de ativismo quando sua própria democracia está em jogo, do tipo: ‘Ei, meu escritório de advocacia faz muitos negócios com o governo federal; tivemos de fazer um acordo com Trump’".
O que me levou a refletir seriamente sobre minhas alergias políticas foram as conversas com dois velhos amigos do Oriente Médio . Ambos correram enormes riscos pessoais para dizer verdades difíceis e lutar pelo direito de votar em eleições livres e justas.
Por isso, ficam indignados ao ver tantos americanos cruzarem os braços diante da maior ameaça à nossa democracia em toda a minha vida: a disposição do presidente Donald Trump de violar as regras para se manter no poder.
Uma dessas corajosas ativistas da democracia é Tawakkul Karman , a primeira iemenita e a primeira mulher árabe a ganhar o Prêmio Nobel da Paz .
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