50 Anos sem Juscelino Kubitschek
Em evento realizado na Câmara Municipal de São Paulo em 10 de agosto, no contexto do ato “50 anos sem JK: o resgate da verdade histórica”, foi relembrada a memória de um de seus maiores líderes políticos e defensores da democracia, Juscelino Kubitschek.
No fim da tarde de 22 de agosto de 1976, no quilômetro 165 da Rodovia Presidente Dutra, na altura de Resende (RJ), JK e seu amigo e motorista Geraldo Ribeiro morreram em um violento acidente automobilístico que, desde os primeiros minutos, foi manipulado e enquadrado pelo regime ditatorial como uma mero “acidente automobilístico”.
Para sustentar essa narrativa, militares reunidos na cena do acidente alteraram o local e criaram um bode expiatório: o motorista de ônibus Josias de Oliveira, da Viação Cometa.
Embora tenha sido absolvido pela Justiça após a comprovação de que o ônibus não colidiu com o Opala de JK, o fardo de ter sido o suposto causador da tragédia permaneceu injustamente sobre Josias ao longo de décadas.
A compreensão do que ocorreu na Via Dutra ganha dimensão quando inserida no contexto da perseguição política sistematicamente movida contra o ex-presidente.
Pré-candidato declarado pelo Partido Social Democrático (PSD) em 1964, JK teve seus projetos interrompidos pelo golpe empresarial-militar.
Mesmo cassado e exilado, continuou sendo uma das maiores lideranças civis do país, um símbolo do desenvolvimento por meio do lema “50 anos em 5”, da construção de Brasília, da integração territorial e do investimento em educação, cultura, ciência e soberania.
Sua imagem representava a confiança no próprio povo e a capacidade de construir uma nação democrática e plural — uma visão de Brasil que permanecia em disputa e ameaçava diretamente o autoritarismo.
Essa perseguição traduziu-se em ameaças diretas e planos de eliminação física gestados pelo aparato estatal da ditadura empresarial-militar.
No exílio, JK esteve na mira do Plano PARASAR — idealizado pelo brigadeiro João Paulo Burnier para gerar o caos no país explodindo o gasômetro do Rio de Janeiro e atirando uma lista de opositores ao mar, plano corajosamente denunciado pelo capitão Sérgio Carvalho (popularmente conhecido como Sérgio Macaco) — e da Operação Código 12, que articulava sua execução sob a forma de um acidente rodoviário.
O próprio Juscelino, acompanhado por seu amigo Serafim Jardim, desabafou tempos antes de morrer: “Estão querendo me matar, mas ainda não me mataram”.
Em fevereiro de 1976, Roberto Marinho, atuando como emissário do ministro da Justiça Armando Falcão, procurou JK para avisá-lo do plano contra sua vida.
Um boato sobre a sua morte em um acidente automobilístico chegou a ser levado à imprensa 15 dias antes do crime, concretizando-se duas semanas depois.
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