Da cusparada ao linchamento: Brasil, mostra a sua cara
Pelé está morto, todos sabemos.
Com certeza, ficaria horrorizado de saber que a Vila Belmiro, um estádio feio e acanhado que ele, com sua genialidade, tornou conhecido em todo o Mundo, foi palco de um crime que provavelmente nem esteja no Código Penal.
Um torcedor do Santos, o seu Santos, cuspiu em Reinaldo, lateral do Mirassol, que estava trabalhando, cumprindo a reles missão de cobrar um lateral.
Tom Jobim e Vinícius de Moraes estão mortos, todo sabemos.
Mas Helô Pinheiro, a Garota de Ipanema, talvez tivesse passado pela rua Barata Ribeiro em Copacabana, na noite de 11 de agosto, em que Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, foi espancado até a morte por quatro criminosos – dois deles, seguranças privados, diga-se milicianos e dois entregadores do Ifood, porque desconfiaram que a bicicleta que ele conduzia era roubada.
Poderia até ser, que não justificaria o linchamento de seis minutos em que ele recebeu 57 pauladas, além de chutes e pisões no pescoço.
Dias depois, um dos assassinos do homem neurodivergente, foi depor.
Não foi a pé, não foi de ônibus, foi de bicicleta.
Sim, a bicicleta que teria sido roubada.
Ah, esse Rio de Garota de Ipanema, de Copacabana, Princesinha do Mar, onde o sol poente, deixa uma saudade na gente, não existe mais.
O róseo mundo descrito por Tom, Vinícius, Alberto Ribeiro e João de Barro não existe mais.
Hoje, o ódio caminha pelas ruas, flutua, embora seja tão pesado.
A Tropicália de Caetano e Gil, Mutantes e Duprat, Tonzé, claro, deu nome a um quiosque na Tijuca.
Foi nele que o congolês Moise Kabagambe, de 24 anos, foi linchado em 2022 porque foi cobrar atrasados a que teria direito por seu trabalho de garçom.
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