De Marte para a sua carteira: o que muda se Elon Musk juntar Tesla e SpaceX
Para o Barclays, a união entre as duas empresas virou expectativa consensual; o prazo para levar a proposta aos acionistas pode ser a assembleia da Tesla, que precisa acontecer até 6 de dezembro
Imagine dois irmãos que moram em casas vizinhas. Um fabrica carros e robôs; o outro, foguetes e inteligência artificial (IA) . Os dois dividem ferramentas, fornecedores e até clientes. Em algum momento, a família inteira passa a perguntar: por que não morar na mesma casa?
É mais ou menos essa a conversa que volta a rondar Wall Street, e que agora ganhou o reforço de um peso-pesado.
O Barclays afirma que a fusão entre a Tesla (TSLA) e a SpaceX (SPCX) , ambas comandadas por Elon Musk , "tem se tornado cada vez mais a expectativa consensual" do mercado.
A ideia de juntar as duas empresas de Musk não é nova. Ela reaparece de tempos em tempos no radar do mercado. O que chamou atenção do Barclays foi o timing .
Segundo as regras da SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, a Tesla precisa realizar sua assembleia geral anual até 6 de dezembro. Para Dan Levy, analista do banco, esse seria o palco natural para os acionistas votarem uma eventual proposta de fusão.
Isso não significaria o fim da história. O Barclays avalia que, nesse cenário, o acordo ainda poderia sair nos próximos seis a 12 meses, já que os investidores enxergam vantagem em fechar qualquer negócio dentro do ambiente favorável a fusões e aquisições da administração de Donald Trump.
Na visão de Levy, o grande argumento a favor da fusão é a integração vertical de inteligência artificial.
De um lado, a "IA física" da Tesla, como o Robotaxi e o robô Optimus . De outro, a "IA virtual" da SpaceX, como o Grok . O elo entre as duas seria a Terafab , a fábrica de chips planejada pela companhia, que forneceria o hardware para tudo isso.
Hoje, as decisões sobre a Terafab precisam passar pela aprovação dos conselhos das duas empresas. Um processo que, segundo a Tesla e o próprio Elon Musk levaria "um tempo". Uma empresa única simplificaria essa engrenagem.
O fator que mais pesa a favor da fusão, segundo o Barclays, é que o próprio Elon Musk tem dado sinais claros nessa direção.
Na última teleconferência de resultados da Tesla, o bilionário observou que há "cada vez mais sobreposição" entre as duas companhias, seja em operações, em tecnologia ou até na compra de Cybertrucks pela SpaceX.
Na All-In Summit, no mês passado, ele foi além e deixou no ar uma pergunta: com tanta colaboração, em tantos níveis, quem pode imaginar que ação alguém tomaria quando há tanta cooperação tão próxima em tantas áreas?
É aqui que a conta fica interessante para o investidor. Hoje, a SpaceX vale cerca de US$ 2,1 trilhões, e a Tesla, cerca de US$ 1,5 trilhão. Já a fatia de Elon Musk é bem diferente em cada uma: 20% no capital da fabricante de carros elétricos e 48% da empresa espacial — o que, graças às ações supervotantes da Classe B, dá a ele cerca de 82% dos votos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.