Cientistas despejaram milhares de litros de soda cáustica no mar em um teste inédito sobre o combate prático à acidez dos oceanos
O experimento levou para o mar uma ideia que precisava ser testada fora do laboratório
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante seis horas no Golfo do Maine, pesquisadores liberaram uma solução altamente purificada de hidróxido de sódio na superfície do oceano e acompanharam a mancha durante vários dias. O teste do projeto LOC-NESS foi feito em agosto de 2025 para medir, em condições reais, se aumentar a alcalinidade pode ajudar o mar a absorver mais CO₂ sem provocar efeitos biológicos importantes na escala estudada.
O objetivo era testar o aumento da alcalinidade oceânica , técnica que altera temporariamente a química da água para aumentar sua capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera.
A Woods Hole Oceanographic Institution explica que o ensaio foi o primeiro teste de campo desse tipo autorizado pela EPA em águas federais dos Estados Unidos.
A solução alcalina foi dispersa na região de Wilkinson Basin , acompanhada de um corante vermelho chamado Rhodamine Water Tracer . O corante não era a soda cáustica: ele servia para mostrar onde a água tratada se deslocava.
A equipe seguiu a mancha com navios, veículos autônomos, planadores submarinos, satélites e amostras de água:
Os resultados preliminares indicam que o experimento criou condições para a superfície do oceano absorver carbono da atmosfera . O pH e os níveis do traçador retornaram aos valores de base dentro do período esperado.
Os pesquisadores também compararam organismos dentro e fora da mancha e não encontraram diferenças significativas, nas métricas analisadas, para abundância de zooplâncton, larvas de peixes e larvas de lagosta.
Não. O próprio projeto trata o experimento como pesquisa controlada , e não como autorização para aplicação comercial em grande escala. A concentração, o local, a mistura e o monitoramento foram definidos para um teste científico específico.
A WHOI também ressalta que remoção de carbono marinho não substitui a redução das emissões . A técnica ainda precisa responder questões de escala, custo, monitoramento e efeitos ecológicos de longo prazo.
O projeto buscou uma área onde as condições químicas e de circulação permitissem rastrear a mudança com precisão. O Golfo do Maine também apresenta alcalinidade naturalmente baixa em comparação com outras regiões da plataforma continental do nordeste americano.
Materiais do LOC-NESS mostram que a seleção do local também considerou atividade biológica e usos humanos, buscando reduzir riscos durante o ensaio.
O valor do teste está justamente em sair do laboratório sem pular direto para uma operação industrial: medir uma intervenção pequena, rastrear sua química e observar o ecossistema antes de discutir qualquer escala maior.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.