Caiado troca discurso liberal por pose populista no Brás ao criticar maior parceiro comercial do Brasil
Ronaldo Caiado (PSD) vestiu um figurino protecionista nesta quinta-feira (20) durante uma visita ao Brás, em São Paulo.
Diante de comerciantes, o candidato à Presidência atacou a concorrência chinesa e defendeu subsídios e benefícios do Estado para empresários brasileiros.
“Eu não vou fazer crescer o PIB da China, vou crescer o PIB do Brasil”, afirmou.
Caiado criticou a chamada taxa das blusinhas e disse não fazer sentido, em sua avaliação, beneficiar comerciantes chineses sem oferecer tratamento semelhante aos brasileiros.
Também sustentou que o Estado tem responsabilidade de proteger setores que geram emprego e renda.
LEIA TAMBÉM: Caiado e Renan Santos criticam fim da escala 6×1: “Maluquice” O discurso de intervenção estatal feito diante dos lojistas entra em tensão com a trajetória econômica liberal que o próprio Caiado reivindica .
Sua campanha o apresenta como defensor da liberdade econômica, da austeridade fiscal, da propriedade privada e de reformas favoráveis à iniciativa privada.
Na véspera da visita ao Brás, o candidato havia defendido inclusive uma trava constitucional para limitar o crescimento das despesas públicas , uma de suas principais bandeiras na área fiscal.
O apelo à proteção estatal também contrasta com a origem política do presidenciável.
Caiado foi fundador e presidente nacional da União Democrática Ruralista, a UDR , organização que ganhou força durante a Constituinte na reação de grandes proprietários rurais às propostas de reforma agrária.
No Brás, porém, o candidato buscou se apresentar como porta-voz de comerciantes pressionados pela concorrência externa, pelos juros e pela inadimplência.
Caiado também atacou as bets , que classificou como uma “derrocada moral”.
Segundo ele, trabalhadores estão perdendo dinheiro nas plataformas de apostas.
O presidenciável afirmou ainda que as bets promovem uma transferência de renda dos pobres para os ricos.
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