O rio místico de 6,4 quilômetros escondido na floresta cujas águas chegam perto dos 100°C e podem matar animais
O raro sistema geotérmico peruano é aquecido por águas subterrâneas que circulam profundamente pela crosta e retornam através de falhas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No coração da Amazônia peruana, o Shanay-timpishka atravessa a floresta soltando vapor como se houvesse uma caldeira sob seu leito. Em determinados trechos, a água se aproxima dos 100°C, embora o rio esteja centenas de quilômetros distante de qualquer vulcão ativo conhecido.
A existência do rio chamou atenção do geocientista peruano Andrés Ruzo porque grandes sistemas hidrotermais costumam ser associados a regiões vulcânicas. No entanto, o vulcão ativo mais próximo fica a aproximadamente 700 quilômetros, tornando improvável uma conexão direta com magma localizado sob o rio.
A principal explicação envolve o calor natural da crosta terrestre. Água superficial penetraria profundamente através de rochas permeáveis e falhas geológicas, seria aquecida durante sua circulação subterrânea e retornaria à superfície por fontes termais, despejando continuamente água muito quente no curso do rio. Trata-se do modelo mais aceito, não de uma tubulação de magma confirmada sob a floresta.
As temperaturas mudam bastante ao longo do curso. Registros apresentados por Ruzo mostram pontos próximos de 97°C, enquanto outras áreas são significativamente mais frias. Por isso, chamar todo o rio de literalmente “fervente” simplifica um sistema térmico variável com vários quilômetros de extensão.
O vídeo oficial do TED apresenta o próprio Andrés Ruzo contando como passou de uma história ouvida na infância à investigação científica do rio. Além de mostrar o Shanay-timpishka, o relato explica por que encontrar um sistema geotérmico dessa escala tão longe de vulcões surpreendeu especialistas.
Sim, temperaturas nessa faixa são capazes de provocar queimaduras graves e fatais. Ruzo documentou pequenos animais mortos depois de entrarem em trechos extremamente quentes, mas a expressão “cozinhar instantaneamente” é exagerada. O dano depende da temperatura, do tamanho do animal e do tempo de exposição.
Em registros feitos junto ao rio, até trechos com aproximadamente 80°C já representam condições incompatíveis com a sobrevivência de muitos animais. Isso torna o Shanay-timpishka perigoso sem precisar acrescentar a ideia de que qualquer criatura seria cozida no exato instante em que tocasse a água.
O mecanismo pode ser comparado a um enorme circuito hidrotermal natural. Parte da água infiltra-se no terreno e desce por sistemas de fraturas. Conforme alcança regiões mais profundas da crosta, entra em contato com rochas progressivamente mais quentes e recebe energia térmica.
Depois, pressão e caminhos formados pelas próprias falhas permitem que essa água aquecida volte a subir. Ao emergir em diferentes pontos, as fontes alimentam e aquecem o rio. Segundo a National Geographic , o fluxo térmico está relacionado justamente a fontes quentes alimentadas por falhas geológicas.
O tamanho do sistema é parte da resposta. Fontes termais isoladas são conhecidas em muitas partes do mundo, mas manter quilômetros de um curso d’água em temperaturas tão elevadas exige uma descarga geotérmica considerável.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.