A história do explorador que teria passado 3 semanas perdido nas dunas seguindo formigas para sobreviver
A história viral mistura um explorador real com técnicas de orientação e obtenção de água que precisam ser separadas entre ciência e mito
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O deserto pode apagar rastros, esconder referências e transformar um pequeno erro de direção em uma emergência. Mas a história de alguém que teria sobrevivido três semanas seguindo formigas até encontrar água não aparece em registros confiáveis. As técnicas reais de sobrevivência no deserto são menos milagrosas e dependem de navegação, leitura do terreno e gestão rigorosa da água.
Tom Sheppard é um explorador britânico, ex-piloto de testes da RAF e especialista em grandes expedições terrestres. Ele ficou conhecido por participar da travessia oeste-leste do Saara em 1975 e posteriormente realizou diversas viagens solo pela região.
Não há, porém, documentação confiável de que Sheppard tenha passado exatamente três semanas perdido sem bússola e sobrevivido rastreando formigas. A pauta mistura um explorador real com técnicas populares de sobrevivência, algumas corretas e outras sem respaldo científico.
A forma das dunas pode fornecer pistas sobre o regime de ventos. O USGS explica que dunas transversais tendem a ficar perpendiculares ao vento dominante, enquanto nas barcanas os chamados “chifres” se prolongam na direção do deslocamento da areia. Isso ajuda a interpretar o terreno, mas não substitui uma bússola.
O vídeo do Overland Journal traz uma entrevista extensa com Tom Sheppard sobre suas travessias do Saara e décadas de experiência em expedições. O relato é especialmente útil porque mostra a importância de preparação, navegação e conhecimento do terreno, sem transformar sobrevivência em um conjunto de truques milagrosos.
Não há evidência científica sólida de que seguir formigas do deserto permita encontrar água potável escondida poucos metros abaixo da areia. Algumas espécies dependem da disponibilidade de água e da umidade do solo, mas isso não torna seus ninhos marcadores confiáveis de um reservatório subterrâneo.
O comportamento realmente extraordinário das formigas do gênero Cataglyphis é sua navegação. Pesquisadores mostraram que elas usam luz solar polarizada como bússola, combinam direção com distância percorrida e recorrem ainda a pistas visuais e olfativas para reencontrar o ninho.
Uma duna registra principalmente a ação do vento que a formou. Nas dunas transversais, a areia sobe pelo lado exposto ao vento e desce pela face de deslizamento. Já dunas longitudinais podem refletir ventos vindos de mais de uma direção, tornando a interpretação muito menos direta.
Por isso, nenhum especialista deveria depender de uma única inclinação de areia para definir um rumo. O Instituto Max Planck mostra que até as formigas do deserto combinam diferentes informações para navegar, estratégia que ilustra bem a importância da redundância quando referências são escassas.
Sim, existe o chamado destilador solar. Uma cavidade é coberta com plástico e um pequeno peso cria uma depressão sobre um recipiente. A umidade evaporada pode condensar na superfície interna e escorrer até o coletor, produzindo alguma água em condições favoráveis.
O problema é o rendimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.