JBS sai, J&F entra: o xadrez financeiro dos irmãos Batista que pode ser um adeus à B3
Mais cedo a J&F protocolou na CVM um pedido para se tornar companhia aberta, mas na categoria B; horas depois foi a vez da JBS fazer outro pedido
A JBS (JBSS32) pediu nesta segunda-feira (21) o cancelamento voluntário do registro como emissora de valores mobiliários na categoria A junto à Comissão de Valores Mobiliários ( CVM ). Na prática, é o primeiro passo formal para a empresa deixar de ser uma companhia aberta negociada na B3 .
O pedido não saiu do nada: a JBS só protocolou o cancelamento depois de conseguir a concordância de todos os acionistas e demais titulares de valores mobiliários emitidos pela empresa.
Ou seja, não é uma decisão unilateral — passou pelo aval de quem tem dinheiro investido na companhia. Agora, o processo depende da análise da CVM, seguindo os prazos da Resolução CVM 80.
Aqui vale uma pausa didática. O registro de categoria A é o que permite a uma empresa emitir qualquer tipo de valor mobiliário, incluindo ações — é ele que dá à companhia o passe livre para estar na bolsa como conhecemos.
Ao pedir o cancelamento dessa categoria, a JBS sinaliza o encerramento do seu capital aberto tradicional.
No mesmo dia em que a JBS bateu essa porta, a J&F — holding dos irmãos Wesley e Joesley Batista e controladora da própria JBS — protocolou na CVM um pedido para se tornar companhia aberta, mas na categoria B.
E aqui mora a diferença que todo investidor precisa entender: a categoria B não permite negociar ações. Ela serve para empresas acessarem o mercado de capitais por meio de instrumentos de dívida , como debêntures e n otas comerciais .
Em outras palavras, a J&F não vai vender pedaços de si mesma na bolsa — vai captar no mercado de forma mais estruturada.
O pedido da J&F já havia sido protocolado na semana anterior, de 14 de setembro, e se encaixa em uma reorganização mais ampla do grupo, anunciada em fevereiro.
A holding , que se chamava J&F Investimentos, passou a se chamar J&F S.A. — mudança que reflete a intenção de deixar de operar apenas como uma gestora de participações e passar a incorporar negócios diretamente.
Com o registro na categoria B, a J&F passa a ter obrigações de transparência que hoje não tem como empresa fechada: divulgação de demonstrações financeiras, informações trimestrais e formulário de referência.
Isso é relevante porque a J&F já capta recursos no Brasil — como na emissão de R$ 1 bilhão em debêntures em dezembro de 2024 —, mas de forma restrita a investidores profissionais. Formalizar o registro pode ampliar o acesso da holding ao mercado de dívida brasileiro.
A companhia de proteína animal permanece como uma empresa separada, listada em Nova York, com estrutura própria — o cancelamento do registro categoria A na CVM é um movimento específico, distinto da reestruturação da holding controladora.
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