Mandato para ministros do STF não é a solução
A ideia de estabelecer mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ) volta e meia aparece no debate público.
Primeiro com uma declaração do presidente Lula como uma resposta institucional às crises que envolvem o STF.
E mais recentemente já questionando de quanto tempo seria o mandato de um ministro do STF.
Flávio Bolsonaro também incorporou a reforma do Supremo à sua agenda eleitoral, embora seu discurso público esteja, até o momento, mais concentrado no impeachment dos ministros do que na previsão de mandatos.
Romeu Zema, por sua vez, apresentou uma proposta mais abrangente, mandato de 15 anos .
Ronaldo Caiado defende mandato de dez anos , sem recondução.
A OAB-SP, na esteira do IAP-PR, saiu na frente no início do ano ao defender um Código de Ética para o STF e agora defende mandato de 12 anos para ministros do STF .
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Esse debate e essas propostas não são novidade.
Elas reaparecem ciclicamente sempre que o STF erra, ou é percebido como errando, em decisões sensíveis, controversas ou politicamente custosas.
O diagnóstico implícito costuma ser simples: ministros permanecem tempo demais no cargo, logo, a correção estaria em encurtar o tempo de permanência.
O problema é que diagnósticos simples raramente dão conta de instituições complexas.
Lucas Zwicker foi quem primeiro apontou isso tão logo esse debate apareceu este ano.
No caso do STF, o tempo de mandato dos ministros não é o fator explicativo central, nem empírico, nem normativo, dos déficits atuais de autoridade, previsibilidade, coerência e legitimidade do tribunal [1] .
A insistência nessa solução desloca o foco do que realmente importa e, pior, corre o risco de agravar disfunções já existentes.
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