Recuperações judiciais no agronegócio caem 20,7% no 2º trimestre, diz Serasa
O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% ante os 565 contabilizados no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira (19).
O resultado interrompe uma sequência de três segundos trimestres consecutivos de alta, em 2023, 2024 e 2025, na série iniciada pela Serasa Experian em 2021.
Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando houve 474 pedidos, a queda foi de 5,5%.
O indicador reúne produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.
A Serasa, porém, recomenda cautela na interpretação dos números.
“A retração neste segundo trimestre, registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.
Segundo ele, custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento ainda mantêm o ambiente desafiador, e será necessário observar se a redução dos pedidos continuará nos próximos trimestres.
Entre os produtores rurais pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, queda de 10,5% ante os 220 do mesmo período de 2025.
Apesar do recuo, esse grupo concentrou o maior número de solicitações entre os três perfis analisados.
Mato Grosso liderou, com 49 pedidos, seguido por Goiás (46), Minas Gerais (23), São Paulo (22) e Paraná (16).
Ainda entre pessoas físicas, produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos.
Segundo a Serasa, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos ligados à atividade rural.
Grandes proprietários tiveram 51 solicitações; pequenos, 39; e médios, 37.
Entre produtores rurais pessoas jurídicas, a queda foi mais acentuada, de 34,2%, com 160 pedidos entre abril e junho, ante 243 no segundo trimestre de 2025.
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