Bancos centrais aceleram compra de ouro e reveem onde guardar reservas
Os bancos centrais estão comprando mais ouro e reavaliando onde armazenar suas reservas em meio ao aumento das preocupações geopolíticas e financeiras. Somente em agosto, as aquisições chegaram a aproximadamente 79 toneladas, segundo estimativas do Goldman Sachs, volume mais de quatro vezes superior à média mensal registrada antes de 2022.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (19), os analistas Lina Thomas e Daan Struyven do banco afirmam que a busca por alternativas às moedas das grandes economias desenvolvidas continua impulsionando a demanda pelo metal. O movimento é liderado por países emergentes, especialmente a China, mas também começa a influenciar discussões sobre a segurança das reservas mantidas no exterior.
Compras de ouro seguem em ritmo elevado. As 79 toneladas adquiridas em agosto superam com folga a média mensal de 17 toneladas registrada antes de 2022. Considerando a média dos últimos três meses, ajustada para variações sazonais, o Goldman estima um ritmo ainda maior, de 85 toneladas por mês.
China liderou as aquisições identificadas. O país comprou aproximadamente 25 toneladas em agosto, segundo o banco. Para os analistas, a participação relativamente pequena do ouro nas reservas de algumas economias emergentes indica que ainda existe espaço para ampliar os estoques nos próximos anos.
Países buscam reduzir a dependência de moedas estrangeiras. As reservas internacionais funcionam como uma proteção financeira e podem incluir dólares, euros, títulos públicos e ouro. Ao distribuir esses recursos entre diferentes ativos, os bancos centrais procuram reduzir sua exposição a riscos associados às moedas e aos mercados dos países do G7, grupo das principais economias desenvolvidas.
Continuamos vendo a demanda dos bancos centrais como um suporte estrutural para o ouro. Goldman Sachs, em relatório
Bancos centrais também estão revendo onde manter suas reservas. Além de ampliar as compras, autoridades monetárias passaram a discutir a segurança dos locais de armazenamento. A preocupação envolve riscos geopolíticos, possíveis restrições ao acesso aos ativos e a confiança nas instituições responsáveis pela custódia.
Reservas guardadas em Nova York diminuíram. Em agosto, o volume de ouro de bancos centrais estrangeiros armazenado no Federal Reserve de Nova York caiu 40 toneladas. No mesmo período, os estoques sob custódia do Banco da Inglaterra aumentaram 46 toneladas, segundo o Goldman Sachs.
Movimento não comprova transferência direta entre os países. Embora os números tenham ocorrido no mesmo período, não é possível afirmar que o ouro retirado de Nova York tenha sido enviado a Londres. Para o Goldman, porém, as mudanças são compatíveis com um debate mais amplo sobre a segurança e a localização das reservas internacionais.
Preocupação também alcança economias desenvolvidas. Diferentemente dos emergentes, os bancos centrais desses países participaram pouco da onda de compras iniciada em 2022, principalmente porque já possuem grandes estoques acumulados ao longo de décadas. Ainda assim, a discussão sobre onde armazenar o metal ganhou relevância.
Ouro deve continuar atraindo bancos centrais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.