Parlamentar: “Noboa impõe estado de exceção para dominar Equador pelo medo”
“Vivemos há cerca de dois anos e meio no Equador em um estado de exceção permanente”, afirma o deputado Fernando Cedeño, da Revolução Cidadã, para quem “a política da direita internacional, ligada ao sionismo e ao trumpismo, visa infundir medo e criar uma sociedade dominada pelo terror com o assassinato de várias lideranças sociais pelas forças públicas”.
Em entrevista exclusiva, Cedeño denuncia que Daniel Noboa impediu a participação dos partidos de oposição para entregar as imensas riquezas do país ao capital transnacional, afrontando a soberania e a democracia.
“Hoje o Equador integra o famoso ‘Escudo das Américas’, sendo considerado parte do ‘Estado americano’, numa reedição da Doutrina Monroe”, condenou.
Boa leitura! LEONARDO WEXELL SEVERO Como avalias a decisão do governo de Daniel Noboa de decretar um novo estado de exceção como resposta ao crescimento dos protestos contra a crise econômica que o Equador atravessa? Bem, ainda que supostamente se insira na política de combate ao crime organizado, desde os primeiros meses do governo Noboa, o decreto do estado de exceção surgiu como um mecanismo de repressão ao povo.
Em teoria, para combater o crime organizado e as máfias infiltradas na estrutura da sociedade equatoriana.
Mas o que se vê, é que vivemos há cerca de dois anos e meio em um estado de exceção permanente.
Inclusive, a Corte Constitucional declarou inconstitucionais alguns desses decretos executivos, pois violam direitos civis e pessoais.
A Corte os declara inconstitucionais porque afetam princípios protegidos pela nossa Constituição, mas o governo não se importa; só lhe interessa o combate à dissidência.
No fim, acabam impondo o seu critério.
Acredito que trata-se de um recurso que demonstrou ser totalmente ineficaz, já que os índices que eles alegam querer combater (como os de violência, assassinatos e mortes violentas no Equador) não diminuem, mas só aumentam.
Isso revela que essa política de estado de exceção ou de “conflito armado interno” (como também a denominam) não funciona.
Isso ocorre porque se desvia a força pública – principalmente os membros das Forças Armadas e seus três ramos – de sua função de apoio complementar à Polícia Nacional no combate ao crime (sendo a polícia a instituição constitucionalmente encarregada da segurança interna do país).
Por outro lado, deixa-se a fronteira desguarnecida e sem proteção, pois o efetivo militar é ocupado com a vigilância de presídios, negligenciando-se suas atribuições constitucionais de proteger as fronteiras marítimas, terrestres e aéreas.
“É uma política que visa infundir medo e criar uma sociedade dominada pelo terror com o assassinato de várias lideranças sociais pelas forças públicas”.
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