Lula diz que espera acordo com os EUA antes de usar reciprocidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 2ª feira (21.set.2026) que será cauteloso ao decidir se aplica a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos enquanto houver negociação comercial entre os 2 países.
“Enquanto estivermos na mesa de negociação, não tenho que aplicar a lei da reciprocidade”, declarou.
O presidente deu a declaração em entrevista à CNN, em Nova York, onde está para participar da Assembleia Geral da ONU.
Lula afirmou que não pretende iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos e disse que o Brasil deve ter “mais paciência” enquanto as negociações entre os 2 países estiverem em andamento.
Lula reiterou que conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), há cerca de 1 mês e meio e que os 2 governos retomaram as tratativas comerciais.
O governo brasileiro também mantém reuniões técnicas com representantes norte-americanos.
O presidente disse, porém, que o Brasil poderá aplicar a legislação caso não haja acordo.
A Lei 15.122, de 2025, permite ao Executivo suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
“Se não houver acordo, vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade”, afirmou Lula.
O presidente também disse que não quer entrar em uma disputa tarifária com os Estados Unidos ou com outros países.
Afirmou que prefere negociar e buscar novos parceiros comerciais.
Segundo Lula, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9% desde a adoção das novas tarifas norte-americanas, enquanto as importações de produtos norte-americanos recuaram 8,5%.
Ele citou ainda o crescimento do comércio com outros mercados, como China, Japão, Alemanha, Indonésia, Vietnã e União Europeia, como parte da estratégia brasileira de diversificação.
Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões no 1º semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
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