‘Heartstopper Brasileiro’: atores de 'Quinze Dias', romance LGBT da Netflix, detalham cenas de intimidade
Estrelado por Diego Lira (Caio) e Miguel Lallo (Felipe), o romance adolescente Quinze Dias acaba de chegar à Netflix. No longa-metragem, Felipe, um garoto gordo que sofre bullying, se vê ansioso pelas férias para colocar os hobbies em dia, ler e ver séries. Os planos, porém, vão por água abaixo quando a mãe dele decide hospedar Caio, um garoto atlético, enturmado, mas que, no fundo, também acumula inseguranças.
Em entrevista exclusiva concedida ao Terra , Diego Lira e Miguel Lallo falaram sobre a estreia global no streaming, os desafios enfrentados durante as gravações, a construção da intimidade para as cenas românticas e, claro, sobre o apelido de ‘Heartstopper Brasileiro’, algo que começou nas redes sociais de forma negativa, mas que foi ressignificado com o tempo.
“É gratificante, principalmente se você pensar no tamanho que isso pode tomar. Já não é só Brasil, estamos falando de algo que vai ser dublado e adaptado para outras línguas”, falou Diego Lira.
“É especial estar na Netflix, porque a gente está falando de algo mais acessível que o cinema. E acho que, quando a gente fala de um filme LGBT, um romance gay, a acessibilidade não é só necessária, é fundamental”, completou Miguel Lallo.
Ambos estreantes no cinema, os rapazes tiveram que superar as próprias inseguranças para imergir nos personagens. Miguel Lallo, por exemplo, não nega que se sentiu atravessado pelas vivências de Felipe, um menino gordo e que sofre bullying. Segundo ele, as gravações serviram como ‘sessões de cura’.
“Quando eu li o texto do Felipe, eu falei: ‘Nossa, sou eu!’. Achei que ia ser fácil, mas, quando você para em um set e percebe que milhares de pessoas vão ver aquilo, às vezes você sem roupa, às vezes em um ângulo que não te favorece, você tem que abrir mão de todas as suas inseguranças. Mas uma coisa que eu falava muito com o terapeuta é: ‘Eu preciso aceitar que doa mais em mim para doer menos em outras pessoas’. Porque, por muito tempo, também me senti sozinho, me senti calado, me senti humilhado, me senti excluído e esse filme me salvou enquanto ator e pessoa, então eu pensava muito nisso”, falou Lallo.
Na trama, Diego Lira ficou encarregado de fazer o papel de ‘galãzinho’. Porém, se engana quem pensa que a pressão estética não o afetou. Em diversos momentos, ele contestou a si mesmo sobre sua aparência.
“Olha, o Caio [personagem] foi um presente pra mim. Quando ele chegou, a gente tinha esse lance de: ‘Ok, ele vai ser o padrão da história’, o crushzinho , algo que nunca foi real pra mim. Então, eu também tive que me desprender de tudo, do meu ego, e também tinha essa pressão de, tipo: ‘Tá, mas e se não acharem que eu sou bonito o suficiente? E se acharem que eu não sou padrão suficiente? E se tal ângulo não ficar bom?’”, falou Diego.
No filme, em uma divertida jornada ao estilo ‘frenemies’, os protagonistas acabam entendendo que não são tão diferentes quanto pensam, se aproximam e se abrem para o desconhecido.
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