Quando serviços viram software
Quanto mais a inteligência artificial assume a execução do trabalho, mais importantes se tornam experiência, discernimento e julgamento humanos.
Durante muitos anos, software e serviços ocuparam lugares bem definidos dentro das empresas.
O software era a ferramenta; o serviço era o trabalho realizado com ela.
Um sistema de contabilidade ajudava o contador, um CRM ajudava o vendedor, um software jurídico ajudava o advogado.
A tecnologia aumentava a produtividade, mas alguém continuava responsável por executar o trabalho.
A inteligência artificial começa a embaralhar essa divisão.
Recentemente, a Sequoia Capital, uma das mais importantes empresas de investimento em tecnologia do mundo, publicou um artigo chamado “Services: The New Software”.
A tese é provocadora: em vez de criar softwares para ajudar pessoas a realizar determinado trabalho, empresas construídas sobre inteligência artificial começam a ser capazes de entregar o próprio trabalho pronto.
Pense na contabilidade.
Durante décadas, uma empresa contratava um software e também profissionais para conferir lançamentos, conciliar contas, interpretar informações e fechar os livros.
Agora imagine uma empresa que não venda um novo software contábil, mas simplesmente diga: “Nós fechamos sua contabilidade”.
Por trás desse serviço podem existir agentes de IA, modelos de linguagem, integrações e profissionais supervisionando decisões mais sensíveis.
Para o cliente, pouco importa.
Ele não comprou inteligência artificial, comprou a contabilidade pronta.
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