Tucano madruga na sacada e resume relação de Campo Grande com a natureza
Capital do turismo de observação de aves, rota de espécies migratórias e reconhecida internacionalmente como Cidade Árvore do Mundo, Campo Grande chega aos 127 anos tendo na convivência cotidiana com a fauna silvestre uma de suas características mais marcantes.
Na cidade também conhecida pelos ipês, araras cruzam o céu, capivaras ocupam parques e uma diversidade de aves, antas, tamanduás, quatis e outros animais encontra abrigo entre árvores, áreas verdes e remanescentes de Cerrado, dividindo o espaço urbano com a população.
É uma proximidade que se revela em situações cotidianas, durante uma caminhada, no caminho para o trabalho ou até em casa.
No bairro Carandá Bosque, o jornalista e fotógrafo Jean Fernandes recebe há mais de dois anos a visita diária de um tucano.
Por volta das 5h ou 5h30, quando o dia começa a clarear, a ave pousa em sua sacada.
O visitante ganhou até apelido, “seu Tuca”.
Jean conta que nunca ofereceu alimento ou água, mas o tucano chega espontaneamente, permanece algum tempo e depois segue seu caminho.
Morador de Campo Grande há 30 anos, Jean também coleciona encontros durante as caminhadas que faz na região do Parque dos Poderes.
Já avistou antas, jaguatiricas, quatis e cutias.
Para ele, viver em uma Capital onde esse contato com animais silvestres ainda faz parte da rotina é um privilégio, por isso, costuma registrar esses encontros rotineiros em imagens.
Segundo a bióloga Larissa Tinoco, coordenadora de campo do Projeto Aves Urbanas - Araras na Cidade, do Instituto Arara Azul, a diversidade vai muito além dos animais mais conhecidos.
Docente do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp, ela afirma que Campo Grande abriga mais de 400 espécies de aves.
Entre elas estão o udu-de-coroa-azul e o gavião-pega-macaco, uma águia já avistada em regiões como a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Bandeiras e Parque das Nações Indígenas.
Ela explica que a Capital também integra a rota de espécies migratórias, como andorinhas, gavião-tesoura, sovi e falcão-peregrino.
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