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Parte da direita acredita que desigualdade não é algo relevante?

Folha de S.Paulo ·
Parte da direita acredita que desigualdade não é algo relevante?

Ciclista, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, doutor em economia pela USP e coordenador no Insper. Foi visiting scholar nas universidades de Columbia, Stanford e Oxford

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Uma ideia que circula com frequência em uma parte da sociedade, especialmente naquela que se identifica ideologicamente mais à direita da direita, é a de que a desigualdade é pouco relevante. O verdadeiro desafio seria a pobreza.

Se aqueles que estão na base conseguem melhorar de vida, pouco deveria contar quanto ganharam aqueles que estão no topo. Nessa visão, falar demais sobre a distância entre ricos e pobres seria uma forma de inveja.

A intuição por trás desse argumento contém algo interessante. Uma sociedade na qual todos possuem rendas semelhantes e são pobres dificilmente é preferível a outra mais desigual e mais próspera. Também seria estranho condenar o enriquecimento de alguém que criou uma empresa produtiva apenas porque sua renda cresceu mais rapidamente que a dos demais. Economias de mercado produzem diferenças e a disposição para assumir riscos deveria ser recompensada.

O salto equivocado aparece ao concluir que, por isso, a desigualdade não é relevante.

Pobreza e desigualdade são coisas distintas. A primeira pergunta quantas pessoas possuem recursos insuficientes para determinado padrão de vida. A segunda ajuda a entender como os ganhos produzidos pela economia estão sendo distribuídos e até que ponto a posição de uma pessoa depende do ponto de partida gerado pela loteria do nascimento.

Inclusive, lidar com a desigualdade é relevante para combater a própria pobreza.

Estudos do Banco Mundial mostram que níveis elevados de desigualdade enfraquecem significativamente a capacidade do crescimento econômico de reduzir a pobreza ( Growth, inequality, and poverty : looking beyond averages ). Dois países podem crescer no mesmo ritmo e retirar parcelas bastante diferentes de suas populações da pobreza, dependendo de como os ganhos desse crescimento chegam à sociedade ( Inequality Is Bad for the Poor ).

Além disso, um estudo bastante citado do Fundo Monetário Internacional (FMI) encontrou uma associação curiosa entre distribuição de renda e desempenho econômico. O aumento de um ponto percentual na parcela da renda apropriada pelos 20% mais ricos esteve associado a crescimento 0,08 ponto percentual menor nos cinco anos seguintes. Um aumento semelhante na participação dos 20% mais pobres esteve associado a crescimento 0,38 ponto percentual maior ( Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective ).

Convém não transformar correlação em causalidade. Contudo, a evidência ajuda a enterrar a ideia simplista de que concentração de riqueza e prosperidade caminham juntas.

Em uma sociedade altamente desigual, famílias com mais recursos conseguem transferir aos filhos muito mais que dinheiro. Elas conseguem ampliar suas chances de ocupar boas posições na economia. Famílias na base enfrentam uma trajetória oposta.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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