Quem pode se beneficiar de uma eventual OPA da Oncoclínicas?
O colegiado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) marcou para esta terça-feira o julgamento do parecer da área técnica sobre a Oferta Pública de Ações (OPA) da Oncoclínicas —uma obrigação que pode custar R$ 6 bilhões ao fundo americano Centaurus, segundo algumas estimativas de mercado.
A recomendação da área técnica, reiterada em dois pareceres após questionamentos da gestora Latache —hoje o acionista de maior influência sobre a companhia de tratamento de câncer que está em recuperação judicial—, é de que o fundo da Centaurus não precisa convocar uma OPA e pagar um prêmio aos minoritários por conta de uma reestruturação societária ocorrida em 2024.
A expectativa do mercado, no entanto, é de que o colegiado deverá contrariar a área técnica e votar pela realização da OPA —as ações chegaram a subir mais de 40% só ontem, batendo em R$ 1,75. No último mês, a valorização foi de 149% com a expectativa da OPA— cujo preço seria da ordem de R$ 16 por ação, valor dos papéis na época do fato que, segundo a Latache, teria ensejado a obrigação da oferta.
Uma associação de minoritários já está planejando entrar na Justiça com uma "ação de obrigação de fazer" para que a Centaurus tenha de convocar a OPA em caso de decisão favorável do colegiado.
O fundo Josephina III, que concentra a participação da Centaurus, entende que essa é uma disputa entre acionistas —e menos uma discussão regulatória— e já requereu a instalação de um processo de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado, da B3, contra a demanda da Latache.
Caso o colegiado da CVM decida ir contra a área técnica entendendo que é o caso de OPA, a Latache vai precisar entrar em uma nova briga para poder se beneficiar amplamente de uma operação de compra de ações.
Isso porque a gestora, que hoje tem quase 15% da companhia, detinha apenas 1,4% em novembro de 2024, quando aconteceu uma reestruturação societária que acredita ter sido o gatilho para a OPA estatutária.
Quem está comprando ação agora —ou que vem comprando desde novembro de 2024— está acreditando que vai lucrar com uma OPA apoiada pelo colegiado da CVM. No entanto, casos de OPA que guardam alguma similaridade com Oncoclínicas tiveram como referência a fotografia do quadro de acionistas na data do fato que ensejou a OPA —e não aquele no dia da realização da OPA propriamente. O entendimento é que quem entrou ou aumentou a participação depois de novembro não pode alegar que não sabia que a Centaurus era acionista e detentora de 16% das ações.
A Latache entrou na empresa junto com o banco Master, em julho de 2024, com o CEO da gestora, Renato Azevedo, assumindo um assento no conselho. Hoje a gestora está à frente da recuperação judicial da Oncoclínicas, que acumula uma dívida de R$ 5 bilhões.
A OPA não altera o futuro da companhia, pois o prêmio iria para o bolso dos acionistas.
A OPA é uma regra do mercado de capitais que existe para proteger os minoritários do abuso de poder do acionista controlador. Ela é prevista em situações em que a liquidez das ações (medida pelo volume de ações em circulação) é alterada de alguma forma. Quanto menor a liquidez, menor a demanda, mais difícil para quem tem o papel conseguir vender.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.