Raiz do Brasil
Não importa como você a chame, é bem provável que ela faça parte do seu dia.
Está no pão de queijo, na tapioca do café da manhã, na farofa do almoço e no popular biscoito de polvilho, que costuma desaparecer diante dos nossos olhos.
Poderíamos dizer, sem exagero, que a mandioca é a raiz do Brasil.
Isso porque, muito antes de o país existir, ela já havia se fincado em seu território.
A domesticação da planta ocorreu na borda sul da Amazônia, em uma região que hoje abrange Acre e Rondônia, há milhares de anos.
Uma antiga lenda tupi conta que a alegre Mani, querida por todos, morreu ainda criança.
Como mandava o costume, foi enterrada pelos pais na própria oca.
No local, nasceu uma planta de folhas verdes e raiz branca.
A mãe chamou-a “maniva”, nome que hoje damos ao pedaço de haste germinada usada para propagar novas plantas.
Esse mito de abundância, no qual a menina renasce como sustento de seu povo, mostra o lugar da planta no imaginário dos nativos.
Eles não só a cultivaram, mas selecionaram variedades e desenvolveram maneiras sofisticadas de transformar uma raiz potencialmente tóxica em alimento.
Os indígenas perceberam que era preciso “amansar” a mandioca-brava para que o consumo fosse seguro.
Desenvolveram, então, as técnicas para ralar, lavar, prensar, fermentar, peneirar, secar e cozinhar a raiz, evitando o “veneno” que pode se desprender dela, o ácido cianídrico.
Continua após a publicidade Esse conhecimento, transmitido por gerações até hoje, logo chamou a atenção dos portugueses.
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