Recuperações judiciais batem recorde; é hora de fugir do crédito privado?
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
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Nesta quinta-feira (20), o Banco Central divulgou sua Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, que mostra como as instituições financeiras estão percebendo a evolução do risco e ajustando sua disposição para emprestar. Ela chega em um momento particularmente interessante.
De um lado, multiplicam-se as notícias sobre o número recorde de empresas em recuperação judicial . Do outro, quando combinamos a pesquisa com as estatísticas de inadimplência divulgadas pelo próprio BC, não encontramos uma explosão semelhante no crédito empresarial. Como as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo?
A resposta começa por uma distinção simples, mas importante: quantidade e severidade não são a mesma coisa. Contar empresas em recuperação judicial dá o mesmo peso a uma pequena empresa e a uma companhia com bilhões de reais em dívidas.
Para o investidor, entretanto, não importa apenas quantas empresas tiveram problemas, mas quanto do crédito concedido está efetivamente deixando de ser pago. Frequência de eventos e severidade financeira são conceitos diferentes.
Para saber o que efetivamente está acontecendo com a inadimplência, precisamos recorrer às Estatísticas Monetárias e de Crédito, também divulgadas mensalmente pelo Banco Central.
Em junho, a inadimplência das empresas no Sistema Financeiro Nacional estava em 3,2%, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses. É uma piora, mas ainda abaixo do pico de 4,1% registrado em 2017.
No crédito livre, a diferença é ainda maior: os atuais 4,0% estão bem distantes dos 6,1% alcançados naquele período. Portanto, enquanto as recuperações judiciais batem recordes, a inadimplência empresarial sequer está próxima de seu máximo histórico
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A situação é diferente quando olhamos para as famílias. Em junho, a inadimplência das pessoas físicas chegou a 5,6%, avanço expressivo de 1,2 ponto percentual em apenas 12 meses. É um nível próximo dos piores momentos da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011, quando a inadimplência das famílias chegou à casa de 6% durante a recessão de 2015 e 2016.
Mas também não estamos no máximo histórico como muito se fala em mídias sociais. No crédito livre, a inadimplência atual já alcança 7,6%. Portanto, se existe hoje um segmento em que a deterioração merece preocupação maior, os números apontam muito mais para as famílias do que para as empresas.
O Relatório de Estabilidade Financeira reforça essa leitura. O Banco Central afirma que a materialização de risco nas carteiras de empresas permaneceu relativamente estável e que as probabilidades de default vinham caindo em todos os portes, embora ainda estivessem em níveis elevados, especialmente entre empresas médias.
Entre companhias abertas, receita e Ebitda ainda sustentavam indicadores de endividamento e cobertura de juros relativamente adequados, apesar da expectativa de alguma piora adiante.
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