Uefa inicia ações judiciais nos EUA mirando queixa-crime na Suíça contra Gianni Infantino
Gianni Infantino fala durante evento da Copa do Mundo Feminina 2027 - Divulgação
A Uefa iniciou esforços legais práticos na batalha contra Gianni Infantino , presidente da Fifa . As movimentações da entidade gestora do futebol europeu podem culminar em uma queixa-crime contra o mandatário e outros executivos da organização máxima da modalidade.
A movimentação jurídica é motivada pela tentativa do dirigente de vender 21% dos direitos comerciais da Copa do Mundo por US$ 4,2 bilhões a um fundo de private equity, no projeto conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE).
A confederação europeia protocolou três pedidos de produção de provas em tribunais dos Estados Unidos. As ações foram registradas na Flórida, focadas na obtenção de informações das divisões Fifa Americas e da Copa do Mundo 2026,, em Nova York, mirando documentos do fundo Thrive Capital Management, de Josh Kushner, e no Colorado, onde reside Greg Maffei, apontado como principal consultor comercial de Infantino na operação.
De acordo com a Uefa, as informações obtidas nos EUA embasarão uma queixa-crime que será apresentada na Suíça, sede da Fifa. A denúncia deve se apoiar no Artigo 158 do Código Penal Suíço, que pune com até cinco anos de prisão a má administração de bens de terceiros com a intenção de obter ganho ilícito.
No processo protocolado na Flórida, a Uefa argumentou que o plano FFE foi desenvolvido em segredo por Infantino e um pequeno círculo de cúmplices. O objetivo, segundo o documento, era permitir que o presidente adquirisse uma participação permanente e lucrasse com os ativos da Fifa, em detrimento da entidade e de seus membros.
A acusação aponta que a venda dos direitos por US$ 4,2 bilhões representaria um valor de mercado “absurdamente baixo”. Apesar de Infantino ter recuado e retirado o plano da FFE de pauta antes que os prejuízos fossem causados, a Uefa destacou que o abandono do projeto não apaga o “abuso de poder” e não o exime das acusações de tentativa de fraude.
O comitê executivo da Uefa também exigiu uma revisão externa e independente de todos os documentos relacionados à negociação, afirmando que “a Fifa não pode investigar a si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite suas conclusões”.
Durante o sorteio da Champions League, em Mônaco, a vice-presidente da Uefa, Laura McAllister, confirmou que a estratégia da confederação é promover uma mudança de regime no comando do futebol mundial.
“Não esperávamos que o presidente da Fifa saísse sem lutar, porque não havia nenhum histórico disso acontecer. Mas isso não nos impede de seguir a estratégia que temos de promover uma mudança de gestão”, declarou a dirigente.
A pressão da Uefa e de confederações aliadas, AFC e Concacaf, envolveu a ameaça de boicote à Copa do Mundo Feminina Sub-20. A ideia só foi retirada após a Fifa fornecer garantias de que o plano FFE não seria retomado em formatos alternativos.
McAllister também reforçou que a Uefa buscará apresentar um candidato de oposição nas eleições de março.
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