Zoneamento e práticas agrícolas aumentam resiliência a El Niño
No bioma Cerrado, onde a produtividade das lavouras de grãos está diretamente relacionada ao regime de chuvas, a ocorrência de um El Niño de alta intensidade pode alterar o balanço hídrico e trazer desafios aos produtores rurais.
Nesse sentido, o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) e o manejo do solo e da lavoura, com práticas conservacionistas e de gestão, podem aumentar a resiliência dos sistemas produtivos e mitigar os efeitos do fenômeno climático.
Enos (El Niño-Oscilação Sul) é um fenômeno natural periódico, com intervalos de dois a sete anos, que acopla o oceano e a atmosfera no Pacífico Equatorial, alternando-se entre fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e períodos de neutralidade, que afetam as temperaturas e o regime de chuvas em todo o planeta.
As fases do El Niño são identificadas quando a média móvel da temperatura na superfície do mar permanece igual ou superior a +0,5 °C em relação à média histórica por, no mínimo, 5 meses consecutivos, enquanto eventos do La Niña são caracterizados por anomalias iguais ou inferiores a -0,5 °C em relação à média histórica pelo mesmo intervalo de tempo.
Nos anos considerados neutros, as médias móveis de temperatura ficam entre esses limites.
De acordo com o pesquisador Fernando Macena , da Embrapa Cerrados (DF), os dados oceanográficos e atmosféricos mais recentes mostram que o Oceano Pacífico equatorial atravessa um aquecimento expressivo.
O ION (Índice Oceânico Niño), que registra desde 1950 a anomalia da temperatura da superfície do mar na porção central do Pacífico equatorial, uma das áreas de referência para medir a intensidade do fenômeno, atingiu o patamar de +1,4°C em junho de 2026, 2º mês consecutivo acima de +0,5ºC, mantendo a tendência consistente de elevação das temperaturas iniciada no começo deste ano.
“ A alteração nos padrões de ventos e na radiação de onda longa (radiação térmica eletromagnética emitida pela superfície da Terra, pelas nuvens e pela atmosfera) consolida a transição para a fase quente do ENOS.
Múltiplas projeções individuais sugerem, até mesmo, a possibilidade de anomalias térmicas superiores a +2,5°C no Pacífico tropical, o que configuraria um evento de magnitude histórica ”, diz Macena.
O aquecimento oceânico se soma a um contexto global já aquecido: o ano de 2026 registrou o 2º mês de maio mais quente da história, com ondas de calor precoces na Europa e eventos extremos recorrentes em diversos continentes.
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