Bolsa Família: a conta do INSS por trás do aumento anunciado por Lula
No papel, o caminho apresentado pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para bancar o aumento do Bolsa Família é simples: se o INSS gastar menos do que o governo previa, a diferença abre espaço para ampliar o benefício.
Na execução, a conta exige mais.
A folga depende de as projeções se confirmarem, enquanto o reajuste aumenta os compromissos de pagamento do governo.
E reduzir a fila da Previdência, apontada pelo ministro como fonte de espaço fiscal, também significa conceder benefícios e elevar despesas.
O próprio Planejamento registrou essa dificuldade no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre, publicado em julho.
O processamento dos requerimentos acumulados impulsionou os gastos previdenciários, mas o crescimento ficou abaixo da previsão.
Foi essa diferença que permitiu reduzir a estimativa.
A revisão líquida da rubrica, que também considera sentenças judiciais e compensação previdenciária, foi de 2,684 bilhões de reais.
Em agosto, houve outra revisão.
No dia 25, o Conselho Nacional de Previdência Social reduziu em 6,474 bilhões de reais a estimativa de despesas para 2026, na comparação com a projeção do início daquele mês.
O diretor do Departamento do Regime Geral de Previdência Social, Eduardo Pereira, atribuiu a diferença a parâmetros conservadores usados nos cálculos.
Para 2027, a previsão caiu 5,018 bilhões de reais.
Os números seriam encaminhados ao Planejamento para preparar o Orçamento: essa revisão, portanto, já era conhecida antes do anúncio do reajuste.
Moretti afirma que o aumento anunciado nesta quinta-feira, 17, cabe nas regras fiscais e custará 5,8 bilhões de reais neste ano e cerca de 22 bilhões no próximo.
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