Como a França ficou presa entre o avanço do populismo e a realidade fiscal
Quando protestos contra os altos preços do gás tomaram conta da França em 2018, o presidente Emmanuel Macron ofereceu cerca de US$ 11 bilhões em cortes de impostos e aumentos salariais para tentar conter a insatisfação.
Hoje, após protestos por educação se tornarem violentos, Macron não está em posição de usar dinheiro para restaurar a calma nas ruas.
Isso porque o governo francês também enfrenta a perspectiva de uma crise em seu mercado de títulos.
Investidores vêm vendendo dívida francesa, inseguros sobre a capacidade do governo de administrar seu orçamento em meio a juros elevados e incerteza política.
Anunciar um grande compromisso financeiro para apaziguar os manifestantes provavelmente abalaria ainda mais os investidores e provocaria um novo aumento nos custos de financiamento do governo.
Macron, aproximando-se do fim de seu mandato, lidera um governo de centro sem maioria parlamentar.
Ele se encontra em uma situação delicada: tanto a inação quanto mais gastos podem agravar os problemas da França e abrir mais espaço para políticos populistas que disputarão sua sucessão no próximo ano atraírem eleitores insatisfeitos.
A França não é o único país enfrentando uma armadilha da dívida.
À medida que o endividamento cresce em muitas nações ricas, partidos políticos populistas avançam.
Especialistas alertam que essa combinação pode resultar em uma crise econômica.
Leia também França vai mobilizar militares contra protestos em grande operação de segurança “A mobilização no próximo sábado será maciça”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu Saques, violência e toque de recolher: é hora de adiar a viagem a Paris? França vive onda de protestos que com frequência escalam para atos de violência; Veja o que o turista precisa saber antes de desembarcar na cidade luz Os governos enfrentam um “círculo vicioso”, no qual a turbulência dos mercados e a instabilidade política se alimentam mutuamente, segundo Michal Brzozowski e Joanna Siwinska-Gorzelak, pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia, que publicaram um estudo sobre a relação entre populismo e política fiscal.
“O risco é menos sobre um calote repentino da dívida e mais sobre um arrasto econômico em câmera lenta”, escreveram eles em um e-mail.
O presidente da França, Emmanuel Macron, participa de uma cerimônia de assinatura de acordo com o rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa (não aparece na imagem), no Palácio Al-Sakhir, próximo a Zallaq, Bahrein, em 20 de outubro de 2026.
Foto: Benoit Tessier/Pool via Reuters.
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