Morte de menino de três anos picado por escorpião: polícia indicia médico
A Polícia Civil indiciou por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — o médico responsável pelo primeiro atendimento ao menino Bernardo de Lima Mendes , de 3 anos, que morreu no último dia 1º de abril, em Conchal (SP) , após ser picado por um escorpião .
O inquérito policial apontou negligência e imperícia no cumprimento dos protocolos de emergência médica.
O delegado do caso encaminhou o relatório final ao Ministério Público, solicitando o afastamento cautelar do profissional das funções de plantão e atendimento de urgência.
O caso reacendeu o debate sobre a preparação de equipes de saúde no interior paulista diante de acidentes com animais peçonhentos, que historicamente vitimam crianças na região — como os registros anteriores de óbitos de crianças de 6 anos em Ribeirão Preto e Goiânia.
Sequência de falhas e atraso de 4 horas De acordo com as investigações policiais, uma sucessão de erros burocráticos e técnicos selou o destino da vítima.
O inquérito revelou que Bernardo demorou mais de quatro horas para receber o soro antiescorpiônico, período considerado crítico para salvar a vida de pacientes pediátricos.
A investigação detalhou os principais gargalos no atendimento: Desconhecimento técnico: Em depoimento à polícia, o médico admitiu que desconhecia a existência do protocolo técnico de urgência, que exige conduta imediata para crianças menores de 10 anos picadas por escorpião.
Tratamento inadequado: Em vez de priorizar a transferência imediata, o profissional manteve o menino em observação local, tratando apenas os sintomas de dor.
Demora burocrática: A polícia constatou um atraso superior a duas horas apenas para iniciar os trâmites de remoção pelo sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde).
Falta de estoque e transporte: O hospital de Conchal não possuía o soro em estoque.
O antiveneno só foi aplicado quando Bernardo chegou à Santa Casa de Araras, após uma transferência tardia onde o Samu não foi acionado para acelerar o trajeto.
Naquele momento, o quadro clínico já era irreversível.
O Outro Lado Em nota, a defesa do médico afirmou que recebeu a notícia do indiciamento com surpresa e declarou que o profissional tem “plena certeza de sua inocência”, confiando no esclarecimento dos fatos perante a Justiça.
A Santa Casa de Conchal informou que realizou uma sindicância interna e concluiu que as normas internas foram cumpridas.
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