Dieta rica em proteína e pobre em fibras: entenda os riscos para a saúde
O excesso no consumo de proteína pode sobrecarregar fígado e rins, enquanto a baixa ingestão de fibras aumenta os riscos de câncer colorretal
Nos últimos anos, dietas hiperproteicas e produtos “fit” ricos em proteína, como barrinhas, iogurtes e suplementos, se popularizaram como sinônimos de emagrecimento e ganho de massa muscular. Ao mesmo tempo, cresceu um movimento silencioso e menos comentado: a redução no consumo de frutas, verduras, legumes e grãos integrais, principais fontes de fibras da alimentação.
Essa combinação, aparentemente inofensiva, tem preocupado médicos por dois motivos que caminham lado a lado: a sobrecarga que o excesso de proteína pode representar para fígado e rins, e o papel que a baixa ingestão de fibras vem desempenhando no aumento de diagnósticos de câncer colorretal entre pessoas na casa dos 20 e 30 anos.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano entre 2026 e 2028, o que já coloca a doença na terceira posição entre os tipos mais frequentes no país, descontados os tumores de pele não melanoma. Mais preocupante do que o volume de casos é a mudança de perfil: uma doença antes associada quase exclusivamente ao envelhecimento tem sido diagnosticada com frequência cada vez maior em jovens adultos.
Um dos erros mais comuns é associar “mais proteína” a “mais saúde”, sem considerar que o corpo tem um limite de aproveitamento diário do nutriente. Para adultos saudáveis, sem comorbidades, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) gira em torno de 0,8 a 1 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia para quem tem rotina sedentária, podendo chegar a 1,2 a 2 g por quilo em pessoas fisicamente ativas, dependendo do tipo e da intensidade da atividade.
“O consumo de pro t eína é fundamental para a construção muscular, reparação de tecidos e produção de hormônios, mas o organismo não guarda o excedente como reserva nobre, como no caso da glicose que se transforma em reserva de energia. O que passa da necessidade diária precisa ser metabolizado pelo fígado e eliminado pelos rins na forma de ureia, o que, mantido por longos períodos, pode sobrecarregar esses órgãos”, explica Rita Simões, nutricionista do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas.
Cortar carboidratos e concentrar as refeições em carnes, ovos, whey protein e suplementos pode acelerar resultados no curto prazo, mas costuma vir acompanhado de um efeito colateral pouco falado: a redução drástica do consumo de fibras, já que boa parte dessas dietas elimina grãos integrais, frutas e leguminosas do cardápio.
“Dietas hiperproteicas muito restritivas tendem a ser pobres em fibras, o que favorece constipação, altera a microbiota intestinal e retira do organismo um dos seus principais mecanismos de proteção contra doenças do intestino.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.