Brasil tem menos de 50 especialistas em separar terras-raras, diz ANM
O avanço do Brasil para novas etapas da cadeia produtiva de minerais críticos esbarra na falta de profissionais especializados, avalia a ANM (Agência Nacional de Mineração).
Segundo a reguladora, o país tem hoje menos de 50 especialistas com formação específica na separação de elementos de terras-raras, um dos maiores desafios da exploração desses materiais.
Atualmente, o papel brasileiro na cadeia internacional de minerais críticos se restringe à extração e exportação.
A progressão para novas etapas, como processamento, beneficiamento e transformação, é um dos principais objetivos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em posicionamento divulgado depois da sanção da nova política, a ANM sinalizou que a escassez de profissionais especializados é um dos principais gargalos para o avanço das cadeias produtivas dos minerais.
Embora tenha 25% das reservas mundiais de minerais críticos e a 2ª maior de terras-raras , o Brasil ainda não detém a tecnologia nem a mão de obra necessárias para desenvolver determinados processos considerados altamente complexos, como a separação de terras-raras.
O procedimento químico e industrial consiste em isolar os elementos químicos de terras-raras a partir do minério bruto extraído na natureza.
Sem essa separação individual, os materiais não podem ser utilizados na indústria de alta tecnologia ou em outras aplicações como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa.
Atualmente, a China domina mais de 90% da cadeia mundial de terras-raras, que inclui separação, processamento e refino.
De olho no potencial geológico brasileiro, EUA e União Europeia têm feito investidas no país em busca de parcerias e cooperações em projetos ainda em desenvolvimento.
O objetivo é justamente reduzir a dependência do fornecimento dos chineses, criando cadeias completas de minerais críticos no Ocidente.
Em visita ao Brasil em junho, o Comissário de Parcerias Internacionais da UE, Jozef Sikela, disse que o bloco pretende “empoderar” os brasileiros e quer contribuir com atividades de refino e processamento de materiais na indústria nacional.
Na ocasião, Sikela defendeu que Brasil e Europa podem atuar em conjunto no setor, aproveitando o potencial mineral do território brasileiro e a tecnologia desenvolvida pelos europeus.
FORMAÇÃO E PESQUISA NO BRASIL Segundo um estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, o Brasil precisa formar pelo menos 500 especialistas na separação de terras-raras até 2040.
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