Flávio Bolsonaro se une a 'inimigos' de Lula como estratégia para Nordeste
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência montou uma estratégia específica para a região Nordeste cujo foco principal é fortalecer os adversários de Lula (PT) ou de candidatos apoiados por ele nos estados —ainda que isso signifique abrir mão de integrar os palanques locais. Ou seja: fortalecer a corrida nos estados mesmo que os candidatos ao governo não peçam voto para Flávio.
O objetivo é enfraquecer o PT na corrida ao governo nos estados do Nordeste e, assim, diminuir a margem de votos de Lula na região na eleição presidencial. Em outras palavras, a meta é facilitar a vida do adversário do PT para desidratar o partido na região considerada reduto eleitoral de Lula.
Para a equipe de Flávio, a lógica de "se unir ao inimigo do meu inimigo" faz mais sentido do que lançar candidatos do PL ao governo apenas para dar palanque ao presidenciável. O plano formatado pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), segue a diretriz de que, para enfrentar o PT na região, o PL precisava de um roteiro diferente daquele aplicado em 2022, quando o partido foi derrotado na região.
Um auxiliar de Lula diz que a estratégia do PL vai cair por terra depois que começar o horário eleitoral gratuito, em 28 de agosto. A partir desse momento, segundo ele, o eleitor vai ser bombardeado pelo discurso do petista; que agora as pessoas não estão pensando em eleição; e que o PT tem militância e vai levar gente para a rua no Nordeste, algo que Flávio não vai conseguir.
A opção por não lançar nome do PL ao governos de Bahia e Ceará foi uma decisão da campanha de Flávio para evitar divisão de votos na direita.
Na Bahia, o PL se coligou com ACM Neto, que está empatado com Jerônimo Rodrigues (PT) e em tese abriria palanque presidencial para Ronaldo Caiado (União Brasil). Se ACM Neto vencer no primeiro turno, deve fazer campanha para Flávio no segundo. A equipe de Flávio aposta que Caiado vai ter votação inexpressiva na Bahia.
No Ceará, o PL tem Alcides Fernandes, nome ao Senado na chapa de Ciro Gomes (PSDB), que vai ficar neutro na disputa presidencial. Com a aliança, Ciro ganhou tempo de TV e pode ganhar no primeiro turno (tem 52% das intenções de voto). O objetivo da campanha de Flávio é fazer o PT perder o Governo do Ceará e conquistar ao menos uma vaga no Senado.
Essas costuras políticas refletem na estratégia presidencial do PT, segundo a campanha de Flávio: os políticos locais gastam tempo com articulações para os governos, em vez de trabalharem exclusivamente por Lula.
Em Pernambuco, o PT está aliado com João Campos (PSB), que está atrás ou empatado nas pesquisas no primeiro turno com Raquel Lyra (PSD).
Lyra deixou claro não deve apoiar nenhum candidato (nem mesmo Caiado, do seu partido) para ter votos dos dois lados da polarização, mas a campanha de Flávio vê uma eventual derrota de Campos como uma derrota do próprio Lula em seu estado natal.
O cenário é semelhante em Alagoas, onde JHC tem chances de vencer Renan Filho (MDB) —apoiado por Lula— na corrida pelo governo. O cenário hoje é de empate técnico entre os dois.
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