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Carne bovina dispara 524% nos EUA, mas exportações brasileiras ao país têm pior resultado desde 2023

Por Redação 5News · · com informações de G1
Carne bovina dispara 524% nos EUA, mas exportações brasileiras ao país têm pior resultado desde 2023

Carne Bovina Explode nos EUA, mas Brasil Fecha 2026 com Pior Resultado em Vendas desde 2023

Um dos raros destaques positivos do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos neste ano é a carne bovina. Em setembro, as exportações do produto alcançaram uma alta impressionante de 524,3% comparadas ao mesmo período do ano anterior. O crescimento revela uma das poucas janelas de oportunidade que permaneceram abertas para produtores brasileiros no mercado americano, especialmente após a implementação de novas sobretaxas pelo governo norte-americano. Contudo, esse desempenho isolado não foi suficiente para compensar as perdas generalizadas em outras frentes comerciais. O resultado acumulado do Brasil no período de janeiro a setembro de 2026 apresenta um cenário bem menos animador: as vendas totais caíram 6,5% em relação aos nove primeiros meses de 2025, representando uma redução de aproximadamente dois bilhões de dólares e consolidando o pior desempenho para essa época do ano desde 2023.

O Mês de Recuperação

A recuperação de setembro surpreendeu analistas e exportadores que vinham sofrendo com as incertezas geradas pelas medidas comerciais. O mês apresentou números mais robustos em comparação com o período anterior, com vendas alcançando 3,5 bilhões de dólares para os Estados Unidos, registrando uma alta de 31,9% frente a setembro do ano passado. Esse resultado foi impulsionado tanto pelo aumento na quantidade de itens exportados quanto pela melhora nos preços internacionais dos produtos brasileiros. A quantidade de bens despachados cresceu modestamente em 3,1%, enquanto os preços médios subiram 28%, indicando que não se tratou apenas de um aumento em volume, mas também de uma valorização efetiva das mercadorias no mercado internacional.

A carne bovina foi o grande protagonista dessa recuperação. Isoladamente, o produto experimentou uma escalada notável de 524,3%, deixando para trás vários meses de desempenho morno ou negativo. Analisando o período acumulado de janeiro a setembro, as exportações de carne bovina somaram 1,72 bilhão de dólares, refletindo um crescimento robusto de 82,9% em relação ao mesmo período de 2025. Esse aumento em um ambiente de restrições comerciais generalizadas destaca a importância estratégica desse produto para a economia exportadora brasileira.

O Contraste com Outros Produtos

Enquanto a carne disparava, outros produtos estratégicos enfrentavam quedas severas. O petróleo bruto, peça-chave da pauta exportadora, recuou 35,8% de janeiro a setembro, sugerindo tanto pressões de oferta global quanto demanda reduzida dos compradores americanos. O café não torrado, outro tradicional destaque das exportações brasileiras, encolheu 20% no mesmo período, uma queda considerável que afeta produtores de regiões inteiras do país. Os semiacabados de ferro, que constituem uma importante etapa da cadeia de processamento antes da transformação em produtos finais, sofreram retração de 4,3%, indicando que mesmo setores menos impactados pelas tarifas adicionais enfrentam dificuldades.

A disparidade entre esses resultados expõe uma característica importante do cenário comercial atual: nem todos os produtos brasileiros estão sendo tratados da mesma forma pelos reguladores americanos. Enquanto a carne bovina prospera, outros itens tradicionais encontram obstáculos maiores, seja por estar incluído nas listas de imposição de sobretaxas, seja por dinâmicas de mercado internacional que funcionam de forma independente das decisões políticas.

Contexto das Tarifas e da Política Comercial

As sobretaxas implementadas pelo governo dos Estados Unidos sob a nova administração criaram uma divisão nítida na pauta exportadora brasileira: produtos escolhidos para isenção e produtos penalizados. A carne bovina recebeu o status de exceção, permitindo que exportadores brasileiros mantivessem acesso preferencial ao mercado americano. Na mesma categoria de produtos isentos estão o café solúvel, mel orgânico e pescados como a tilápia. Essas escolhas refletem deliberações políticas complexas, negociações comerciais bilaterais e considerações sobre cadeias de suprimento globais que priorizam certos setores em detrimento de outros.

A decisão de isentar a carne bovina das tarifas adicionais insere-se em um contexto mais amplo de relações comerciais entre os dois países. Ela pode refletir tanto pressões de grupos de interesse domésticos nos Estados Unidos, como demandas de setores que dependem de importações de carne, quanto negociações estratégicas entre os governos dos dois países. O fato de produtos como petróleo bruto e café não torrado não terem recebido o mesmo tratamento evidencia que as políticas comerciais não são uniformes e que diferentes setores enfrentam realidades comerciais muito distintas.

É importante compreender que as tarifas adicionais funcionam como mecanismos que encarecem os produtos brasileiros no mercado americano, tornando-os menos competitivos frente a fornecedores de outros países. Quando um produto recebe isenção, seus exportadores conseguem manter preços mais competitivos e, consequentemente, ganhar participação de mercado. Quando um produto é penalizado, pode perder espaço para concorrentes, especialmente se esses competidores não enfrentarem as mesmas restrições.

O Desempenho Setorial Amplo

Analisando os dados por grande setor da economia brasileira, a situação torna-se ainda mais clara. A agropecuária, que representa a base de muitas exportações brasileiras, sofreu queda de 17,8% nas vendas para os Estados Unidos no período acumulado. A indústria extrativa, que inclui minérios e outros recursos naturais, experimentou redução ainda mais significativa de 32%. A indústria de transformação, responsável por produtos industrializados e com maior valor agregado, encolheu de forma mais modesta, com retração de apenas 1,2%.

No entanto, quando se exclui o mercado americano e se observa os demais países para os quais o Brasil vende produtos, a história muda dramaticamente. A agropecuária cresceu 8,9% para o resto do mundo. A indústria extrativa expandiu 21,2%. E a indústria de transformação avançou 6,3%. Esse contraste revela que as dificuldades não são estruturais da economia brasileira, mas sim específicas das relações comerciais com os Estados Unidos e das barreiras que foram erigidas naquele mercado. Demonstra, portanto, que outros compradores continuam interessados em produtos brasileiros e que a demanda global por itens da pauta brasileira mantém-se firme.

O Que Acompanhar

Os próximos meses oferecerão indicações importantes sobre a trajetória do comércio bilateral. Primeiro, será necessário observar se a recuperação de setembro em carne bovina se consolida ou se foi apenas um pico sazonal. Produtor podem estar antecipando embarques antes de potenciais mudanças nas políticas comerciais, ou a melhora pode refletir novas aberturas de mercado para esse produto específico.

Em segundo lugar, vale acompanhar se outros setores conseguem encontrar estratégias para recuperação similar. O café e o petróleo bruto, que registraram quedas substanciais, podem buscar redirecionamento para outros mercados internacionais ou pressionar por negociações que resultem em isenções de tarifas semelhantes à da carne bovina.

Um terceiro ponto crítico é a evolução das negociações comerciais bilaterais. As tarifas impostas pelos Estados Unidos podem ser ajustadas, renegociadas ou revogadas conforme mudanças políticas ou pressões de setores específicos. Qualquer alteração nessas políticas teria impactos imediatos e substanciais sobre o desempenho das exportações brasileiras.

Por fim, o desempenho dos mercados alternativos ao dos Estados Unidos continuará a ser um fator de compensação importante. Se a diversificação de mercados conseguir absorver parte das perdas registradas no mercado americano, o Brasil poderá manter certa estabilidade no fluxo de divisas e no emprego de seus setores exportadores.

Principais pontos:

• Exportações de carne bovina aos Estados Unidos cresceram 524,3% em setembro, atingindo 1,72 bilhão de dólares no acumulado do ano, beneficiada pela isenção de tarifas adicionais.

• O Brasil fechou janeiro a setembro com quedas de 6,5% nas exportações totais aos EUA, somando 27,5 bilhões de dólares, o pior resultado para essa época do ano desde 2023.

• Enquanto a carne bovina prospera, petróleo bruto caiu 35,8% e café não torrado recuou 20%, refletindo a divisão na pauta exportadora entre produtos isentos e penalizados pelas tarifas.

• Setores como agropecuária, indústria extrativa e indústria de transformação registram quedas de até 32% nos EUA, mas crescimento de até 21,2% quando considerados outros mercados internacionais.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.

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