EUA deportam 161 haitianos após fim de proteção temporária
Os EUA deportaram 161 pessoas ao Haiti na quinta-feira, no primeiro voo após uma decisão judicial que permitiu o fim do Status de Proteção Temporária (TPS) para haitianos, segundo a AP News.
O voo pousou em Cabo Haitiano, no norte do país, porque o aeroporto internacional de Porto Príncipe é considerado perigoso. Os EUA mantêm a suspensão de voos comerciais americanos para a capital haitiana até o início de setembro, devido à violência de gangues.
Parte dos deportados cobriu o rosto enquanto jornalistas registravam a chegada. Muitos temem se tornar alvos de gangues, que controlam cerca de 70% de Porto Príncipe e áreas próximas.
Entre os passageiros havia beneficiários do TPS e haitianos que cumpriram penas de prisão nos EUA. Jean Négot Bonheur Delva, diretor da migração haitiana, afirmou: "Não é o Estado haitiano que pede que os enviem de volta".
Autoridades haitianas ofereceram aos deportados até US$ 65, além de comida e bebida. Delva disse que quem não conseguir chegar em casa no mesmo dia ficará em locais seguros até seguir viagem.
A Suprema Corte dos EUA permitiu em junho o fim do TPS, que afeta cerca de 1 milhão de pessoas de mais de uma dúzia de países. Aproximadamente 350 mil haitianos eram beneficiários do programa, que permitia viver e trabalhar legalmente nos EUA desde 2010.
Um juiz federal em Washington retirou em 5 de agosto uma ordem que bloqueava a deportação de haitianos com TPS. A medida ocorreu após a decisão da Suprema Corte.
Gangues já forçaram o deslocamento de 1,5 milhão de pessoas no Haiti. A ONU registrou mais de 3.100 mortes e 1.189 feridos no país entre janeiro e junho.
O Grupo de Apoio a Refugiados e Retornados do Haiti criticou as deportações. A entidade afirmou que mais de 140 mil haitianos foram deportados de países vizinhos, incluindo a República Dominicana, no primeiro semestre.
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