Empresários cobram ajuste de Lula e preveem forte queda da Bolsa
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) trouxe alívio a parte do empresariado por causa dos riscos institucionais e ambientais que representava um governo Bolsonaro, mas também aumentou a apreensão com os rumos da economia. Surpresos com a virada na eleição, empresários, banqueiros e executivos preveem uma forte reação negativa dos mercados nesta segunda-feira e cobram do presidente sinais rápidos de compromisso fiscal e uma equipe econômica capaz de recuperar a confiança dos investidores.
Um dos grandes banqueiros do país, que pediu para não ser identificado, prevê uma "manhã de sangue" nos mercados nesta segunda-feira, com queda da Bolsa e alta do dólar. Outro empresário aponta como sinal da reação dos investidores a queda, registrada na noite deste domingo, de 19,6% do EWZ — fundo negociado na Bolsa de Nova York que reúne ações de grandes empresas brasileiras e funciona como uma espécie de termômetro do mercado brasileiro no exterior.
Apesar do temor com a economia, parte dos empresários avaliou positivamente o resultado da eleição. "É um bom resultado para o Brasil. O risco institucional com o Flávio seria grande. Setores como educação, meio ambiente e relações exteriores ganham", disse Pedro Wongtschowski, que hoje atua como consultor e foi CEO no setor industrial.
Candido Bracher, ex-presidente do Itaú Unibanco, também destacou o aspecto institucional do resultado. "É muito bom ver a democracia funcionando", afirmou.
Para Pedro Passos, acionista da Natura, a prioridade agora deve ser o equilíbrio das contas públicas. "Torço por algumas mudanças deste novo governo. É importante sinalizar compromisso fiscal. Caso contrário, podemos ver uma recessão para o próximo ano."
A escolha da nova equipe econômica aparece entre os primeiros testes para o presidente. Jackson Schneider, ex-presidente da Embraer Defesa e hoje conselheiro de grandes empresas como Abra e CBMM, afirmou que os nomes escolhidos serão importantes para indicar os rumos do próximo mandato e defendeu uma conciliação nacional.
É importante saber os nomes que farão parte da nova equipe econômica, que sejam nomes competentes, que o governo faça uma conciliação nacional e seja responsável em relação à condição da nossa economia. Jackson Schneider, conselheiro de empresas
Nomes considerados competentes e com credibilidade poderiam acalmar os investidores, desde que acompanhados de sinalizações concretas sobre o que será feito e como as medidas serão financiadas, destacou outro empresário sob condição de anonimato.
Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, avalia que o governo deveria anunciar o novo ministro da Fazenda o mais rapidamente possível. Na sua visão, o mercado receberia melhor uma eventual indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin para o ministério do que o retorno de Fernando Haddad, que deixou o governo para disputar o governo de São Paulo e foi derrotado por Tarcísio de Freitas.
Para Ricardo Lacerda, CEO do banco de investimentos BR Partners, as próprias circunstâncias econômicas devem levar Lula a fazer algum tipo de ajuste.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.